quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Por que Jesus nasceu judeu? A misericórdia devastadora da sua etnia - Por John Piper

RESUMO: O Salvador do mundo, Jesus Cristo, nasceu como judeu. Qual é o propósito de Deus em Jesus nascer Judeu? A história remonta a Abraão e nos leva à comunidade dos santos de todas as tribos e línguas, povos e nações. Por fim, Jesus nasceu judeu para devastar todos os que se vangloriam da superioridade étnica e criar uma nova raça alegre, jubilosa e que ama a misericórdia.
Jesus nasceu judeu, não apenas para despojar as pretensões cristãs dos neonazistas e da KKK, mas também para calar a boca de toda a vanglória étnica e racial, incluindo os judeus. Ele nasceu judeu para levar toda raça e etnia a uma dependência humilde da misericórdia. Ele nasceu judeu para que todas as raça exultassem na misericórdia, não nos graus de melanina; e que toda etnia exultasse na misericórdia, mais do que nas formas étnicas; e que toda tribo exultasse na misericórdia, mais do que nos atributos tribais. Jesus nasceu judeu para devastar todo orgulho de superioridade étnica.
Chegar a essa conclusão é complicado, embora historicamente o fato de Jesus ter nascido judeu tenha ofendido todo orgulho étnico, mesmo o orgulho judaico. Dizer que é complicado, no entanto, é simplesmente concordar com Paulo. Assim que ele chega a essa conclusão, ele diz, no próximo suspiro: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos”! (Rm 11.33).
Essa é a resposta de Paulo ao porquê o Deus do universo se enredou no judaísmo como uma forma de salvar as pessoas em todos os grupos étnicos. Eu digo “enredou” não porque Deus esteja preso ou confuso, mas porque o entrelaçamento de seus modos de salvação com o judaísmo é, da nossa perspectiva, “insondável”. Suas complexidades excedem nossos poderes.
Não obstante, Paulo foi concedido por Deus para nos levar a esse mistério mais além do que nunca. Ninguém o esgotou. Convido você a ir comigo neste mistério, pelo menos até onde eu possa levá-lo em um único artigo.

“Deles descende o Cristo, segundo a carne”

Jesus nasceu judeu. A mulher samaritana no poço disse a Jesus: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana”? (Jo 4.9). Mais tarde, Jesus disse-lhe: “Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus” (Jo 4.22).
O judaísmo de Jesus não foi incidental para o apóstolo Paulo. Ele perguntou: “Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão”? Ele mesmo respondeu: Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus”. (Rm 3.1–2). Então ele completou sua lista assim:
“São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém”! (Rm 9.4-5).
A pedra angular dos privilégios pertencentes aos judeus é esta: “também deles descende o Cristo, segundo a carne” Jesus nasceu judeu. E para catapultar o privilégio deste mundo, ele é Deus encarnado – “o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre”. O maior privilégio do povo judeu é que o Filho de Deus nasceu entre eles.
Então, Jesus nasceu judeu. E isso não foi incidental, mas foi o ponto alto do privilégio judaico entre todas as nações. E Paulo não manteve segredo disso, como se fosse embaraçoso, mas agitou-o como uma bandeira para todo judeu e toda nação ver.
A questão é o porquê. Não apenas por que, no sentido de, de onde isso veio? Mas também por que, no sentido de, Para onde isso está conduzindo? Qual é o propósito de Deus no judaísmo de Jesus? E se não tinha mais significado naqueles dias, pois Jesus agora é o Salvador de todos os povos, por que Paulo traz novamente essa questão à luz?

Por que – de onde isso veio?

Deus se enredou na humanidade como judeu étnico porque, dois mil anos antes, havia se enredado com Abraão, o pai do povo judeu. “Tu és o SENHOR, o Deus que elegeste Abrão, e o tiraste de Ur dos caldeus, e lhe puseste por nome Abraão”. (Ne 9. 7). A partir de então, os judeus se tornaram o povo da aliança privilegiada de Deus. “De todas as famílias da terra, somente a vós outros vos escolhi”; (Am 3.2). “o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra”. (Dt 7.6).
Certamente, Deus tinha em vista, desde o início, que, através de Abraão e seus descendentes, Deus abençoaria todas as nações. “de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra”. (Gn 12.2-3. Mas o privilégio único de Israel permaneceu.
Por dois mil anos, Deus concentrou quase todo o seu envolvimento salvífico com o mundo em Israel, não nas nações. “… o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos”; (At 14.16). “Tão somente o SENHOR se afeiçoou a teus pais para os amar; a vós outros, descendentes deles, escolheu de todos os povos, como hoje se vê”. (Dt 10.15). O perdão dos pecados foi concedido aos judeus através do sangue prefigurado de Cristo nos sacrifícios (Lv 4.20; Rm 3.25). E, aos judeus, foi feita a promessa de que o Messias viria desse povo. (Is 9.6-7). “Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó”, (Lc 1. 32-33).
É por isso que Jesus nasceu judeu. Deus havia escolhido os judeus como “seu próprio povo” (Dt 14.2). Ele concentrou seu trabalho redentor neles por dois mil anos – não nos chineses, nem nos africanos, nem nas pálidas hordas germânicas. E “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” – isto é, nascido judeu (Gl 4.4).

Por que – para onde isso estava levando?

Mas responder à pergunta por que isso diz respeito ao passado apenas intensifica a pergunta porque isso diz respeito ao futuro. Qual era o propósito de Deus para se envolver com Israel em uma aliança e com um Messias judeu pela encarnação? Para onde isso tudo estava levando? E por que fazer dessa maneira?
Claramente, a vida, a morte e a ressurreição desse Messias judeu estavam levando à salvação dos gentios, as nações. Em sua vida, Jesus disse: “Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus. Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”. (Mt 8. 11-12). Ele disse aos líderes judeus: “Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos”. (Mt 21.43). E ele terminou seu ministério com a ordem de “fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19).
Mas a salvação ainda era “dos judeus” (Jo 4.22). Paulo explica como. Quando Israel rejeitou Jesus como o Messias, eles eram como galhos naturais quebrados da árvore da aliança com Abraão. Quando os gentios creram no Messias Jesus, eles eram como ramos não naturais enxertados naquela aliança judaica.
Se alguns dos ramos foram quebrados, e você, embora um broto de oliveira selvagem, tenha sido enxertado entre os outros e agora compartilha a raiz nutritiva da oliveira, não seja arrogante em relação aos galhos. Se você está enxertado, lembre-se de que não é você que sustenta a raiz, mas a raiz que sustenta você. (Rm 11.17–18)
A raiz suporta você! Isso significa que o compromisso de Deus com Israel é o motivo de você ser salvo, porque está unido a essa raiz.
Em outras palavras, não há um pensamento de gentios tendo um caminho de salvação, e judeus outro. Existe somente um caminho. Pertence ao verdadeiro Israel – o Israel salvo. Paulo deixou claro que “nem todos os de Israel são de fato israelitas” (Rm 9.6). A descendência natural não faz parte do verdadeiro Israel. E muitos que não são descendentes de Israel fazem parte do verdadeiro Israel – “…a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? Assim como também diz em Oseias: Chamarei povo meu ao que não era meu povo”; (Rm 9.24–25).
Ser um judeu verdadeiro não é uma questão de etnia, mas de fé no Messias: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, … Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra”, (Rm 2.28–29). Os gentios, dessa maneira, “tornam-se judeus”.
É assim que a promessa a Abraão em Gênesis 12. 3 é cumprida: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos”. (Gl 3.8). É assim que Abraão se torna “o pai de muitas nações” (Gn 17.5; Rm 4.17).
“A salvação vem dos judeus” não apenas porque Jesus era judeu, mas porque ele salva os gentios, tornando-os parceiros completos da herança judaica. Pelo sangue de Cristo, “…porque, por ele, ambos [judeus e gentios] temos acesso ao Pai em um Espírito.  Assim, já não sois [os gentios] estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus”, (Ef 2. 18–19). Os “estrangeiros” gentios são feitos cidadãos plenos da verdadeira casa judaica salva. “sois [judeus e gentios] descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa”. (Gl 3.29).

“Todo o Israel será salvo”

Alguns acham que essa inclusão dos gentios na herança judaica é o passo final no trato de Deus com a etnia Israel. Não é. Paulo ensina que, “entrado a plenitude dos gentios”, “todo o Israel será salvo” (Rm 11.25–26). Isso se refere à nação étnica como um todo, sendo convertida para Cristo em um tempo futuro – depois que “a plenitude dos gentios” estiver reunida.
Alguns dizem que “todo Israel” aqui não se refere à nação étnica, mas ao número total de eleitos, judeus e gentios. Há pelo menos cinco razões convincentes para que isso não funcione. Vou mencionar duas.
Primeiro, é muito improvável que, com apenas onze palavras gregas, o significado de “Israel” mude de “nação étnica” para “judeus e gentios eleitos” (Rm 11.25-26). O primeiro uso, praticamente todos concordam, refere-se à etnia de Israel. Certamente, portanto, a segunda também: “veio endurecimento em parte a Israel, . . . todo Israel será salvo”. Então, “todo Israel” é a nação étnica que já foi parcialmente endurecida. Um dia esse povo será salvo.
Segundo, o paralelo entre as duas metades de Romanos 11.28 aponta para “todo o Israel” como nação étnica. A primeira metade do versículo 28 diz: “Quanto ao evangelho, são eles [o povo étnico de Israel] inimigos” de Deus. A segunda metade do versículo diz: “quanto, porém, à eleição, [esse mesmo povo étnico que é inimigo] é amado por causa dos patriarcas”. O objetivo deste versículo é mostrar que, embora o Israel étnico agora seja um povo que quebra alianças e que não creem, isso vai mudar. O povo que agora é inimigo será convertido mais tarde por causa da eleição e do amor. (Veja também os paralelos em Rm 11.12 e 15.)

Por que ele fez dessa maneira?

Agora estamos em posição de recuar e perguntar: Por que Deus salvou seu povo de todas as nações, incluindo judeus, dessa maneira indireta?
Deixe-me resumir o caminho indireto de Deus:
  1. Toda a humanidade caiu em pecado e corrupção quando Adão e Eva rejeitaram a bondade de Deus em favor de sua própria sabedoria (Gn 3. 6; Rm 5.12). Como a variedade de povos étnicos surgiu em Gn 10 e 11, todos os seus membros individuais eram “filhos da ira” (Ef 2. 3). Nenhuma nação na terra era digna das bênçãos de Deus. Todos mereciam destruição.
  2. Quando Deus pôs em movimento o plano de redenção para a humanidade, ele escolheu Israel como o foco principal de sua obra salvadora por dois mil anos (Dt 7.6; Am 3.2). Essa eleição de Israel entre todas as nações não era devido a nenhuma característica, em Israel, que os tornasse mais dignos do que outras nações. Abraão era um idólatra antes de ser chamado por Deus (Js 24. 2, 14). “Temos nós [os judeus] qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado”; (Rm 3.9).
  3. Por dois mil anos, Deus ofereceu salvação a Israel (Rm 9 4-5) e prenunciou o Messias na história e nas escrituras judaicas (Lc 24.27). A resposta reiterada deles foi em grande parte descrença, como Estevão disse: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis”. (At 7.51). Ou como Paulo disse: “Quanto a Israel, porém, diz: [referindo-se a Deus em Isaías 65.2] Todo o dia estendi as mãos a um povo rebelde e contradizente”. (Rm 10.21).
  4. O efeito dessa incredulidade judaica, apesar de grandes vantagens, foi mostrar que a lei, sem um Redentor, não leva à justificação, mas apenas à exposição e aumento do pecado (Rm 3.20; 5.20) Por essa experiência, a boca do mundo inteiro está calada (3.19). Pois, se Israel, com todas as suas vantagens, “não conseguiu atingir essa lei” (Rm 9.31), as outras nações não deveriam pensar que as coisas estavam melhores para elas. “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus”, (Rm 3.19).
  5. Pela encarnação, vida, morte e ressurreição do Messias, as promessas aos patriarcas foram confirmadas e a misericórdia foi lançada a todas as nações. “…Cristo foi constituído ministro da circuncisão, … para confirmar as promessas feitas aos nossos pais; e para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia” (Rm 15.8–9).
  6. Um endurecimento veio a Israel (Rm 11.25; 2Co 3.14), durando até o século XXI. Permanecerá “até que entre a plenitude dos gentios” (Rm 11.25).
  7. Durante esse período – “os tempos dos gentios” (Lc 21.24) – haverá um grande avanço missionário em todas as nações do mundo. “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”. (Mt 24.14).
  8. Quando “houver entrado a plenitude dos gentios . . . todo o Israel será salvo” (Rm 11.25–26).
  9. Cristo retornará e estabelecerá seu reino (Rm 11.26).
Essa é a maneira indireta que Deus planejava resgatar seu povo entre todos os grupos étnicos, incluindo uma conversão final de “todo o Israel” – uma geração inteira levada em massa à fé no final desta era. Por que essa maneira tão indireta? Aqui está a resposta sumária de Paulo em Romanos 11:30–32:
“Porque assim como vós [gentios] também, outrora, fostes desobedientes a Deus, mas, agora, alcançastes misericórdia, à vista da desobediência deles [judeus], assim também estes [judeus], agora, foram desobedientes, para que, igualmente, eles [judeus] alcancem misericórdia, à vista da que vos foi concedida.  Porque Deus a todos [judeus e gentios] encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos”.
Condensando este resumo, podemos dizer:
As nações gentias viveram em desobediência após a queda.
Então, Deus escolheu Israel.
Israel viveu em desobediência, apesar de todas as suas vantagens.
Então Deus transbordou a misericórdia para as nações gentias.
Essa misericórdia para com as nações resultará em grande misericórdia na conversão de Israel.
Portanto, todos os povos são totalmente dependentes da misericórdia, não do mérito.
Isso é complicado. Estranho. Gira em círculos. Tanto é assim que a próxima coisa que sai da boca de Paulo é a seguinte: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos”! (Rm 11.33).

Objetivo Final: Cada Povo Humilhado e com Esperança na Misericórdia

Qual é então o objetivo final de uma salvação tão indireta? Paulo coloca assim: “Porque Deus a todos [judeus e gentios] encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos”. (Rm 11.32). Paulo já havia dito que o objetivo era “para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus” (Rm 3.19). Esse é o objetivo negativo. Todo grupo étnico foi humilhado por causa de sua desobediência.
Os judeus são humilhados porque, apesar de todas as suas vantagens, são como ramos cortados, com os gentios ocupando seu lugar na aliança abraâmica somente pela fé (Rm 11.19; 9. 30–31). Os povos gentios são humilhados porque permanecem na aliança apenas pela fé (Rm 11.20) e porque é a raiz judaica que os sustenta, e não o contrário (Rm 11.18). Você precisa se tornar um “judeu” para ser salvo (Gl 3.7). Mas nenhum judeu é salvo por ser um judeu étnico. Pois nem todo Israel é Israel (Rm 9.6). “e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”. (Mt 3.9).
Toda boca está calada. O orgulho de cada grupo étnico é silenciado. Todos são entregues à desobediência. Cada um é feito para engolir seu orgulho. Os gentios devem se tornar judeus (nazistas e KKK incluídos) para serem salvos. E os judeus devem renunciar a toda dependência do judaísmo e unirem-se aos gentios na dependência da misericórdia.

Uma raça dependente de misericórdia e que ama a misericórdia

Jesus nasceu judeu – e todas as outras partes da “insondável” e “inescrutável” sabedoria de Deus foram postas em prática – para atingir esse objetivo, para calar a boca de toda jactância étnica e racial, incluindo judeus, e levar todas as raças e etnias a uma humilde dependência da misericórdia.
Cristo nasceu judeu para que toda raça exultasse em misericórdia, não em graus de melanina; para que toda etnia exultasse na misericórdia, mais do que nas formas étnicas; para que toda tribo exultasse na misericórdia, mais do que em atributos tribais. Jesus nasceu judeu para devastar todo orgulho da superioridade étnica, e criar uma nova raça exultante e que ama a misericórdia.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

E se eu tivesse 22 anos novamente - John Piper

“O que você faria se tivesse vinte e dois anos novamente”?

Recentemente me fizeram essa pergunta em uma conferência sobre missões mundiais. Eu completei 22 anos na metade do meu último ano no Wheaton College. Eu era especialista em literatura inglesa e fui para o Fuller Seminary. Fiquei noivo de Noël cinco meses depois de completar 22 anos, pouco antes de me formar. O chamado de Deus na minha vida, como eu o discerni, era claro, mas amplo: eu me senti chamado à palavra de Deus. O que faria com isso, eu não fazia ideia.

Ao me fazer essa pergunta, pensei em seguir na direção de “O que eu faria de diferente”? Mas isso não me pareceu útil porque o que eu teria dito seria: “Eu tentaria fazer tudo melhor” – orar melhor, adorar melhor, amar melhor minha esposa, testemunhar melhor aos incrédulos, estudar melhor. Então, em vez disso, pareceu-me que eu deveria ir na direção de “Quais são as coisas mais importantes que eu teria feito aos vinte e dois anos”? Não no abstrato, mas na realidade de onde eu estava e quem eu era em 1968. E se eu começasse de novo naquelas mesmas circunstâncias? Bem, eu faria seis coisas.

1. Eu me casaria com a mulher que, mais do que qualquer outra no mundo, fosse mais radical, mais disposta a arriscar e que fosse a qualquer lugar por Jesus. Na verdade, eu me casaria com Noël Henry.

Pouco tempo depois de nos conhecermos, quando eu tinha vinte anos, estando apaixonados, e já pensando em casamento, perguntei a ela: “Se Deus me chamasse para ser missionário na África, você iria comigo”? Ela disse: “Sim, eu me veria sendo chamada para estar ao seu lado e apoiá-lo”.

Nos casamos quando eu tinha vinte e dois anos, e meu primeiro emprego foi lecionar por seis anos em uma faculdade em St. Paul. Mas quando eu tinha trinta e três anos, Deus me fez seu chamado irresistível para o ministério pastoral, e perguntei se ela me apoiaria nisso. Ela disse sim.

Depois de um ano naquele ministério pastoral, fiquei tão desanimado em uma tarde de domingo que coloquei o rosto nas mãos e disse em voz alta na mesa da sala de jantar, para que ela pudesse me ouvir do quarto: “Acho que vou para a África”. Sem hesitar, ela disse lá do quarto: “Me avise quando for para fazer as malas”.

Depois de quatro anos nesse ministério pastoral, Deus nos tocou poderosamente pela causa das missões mundiais e perguntei-lhe: “E se convidarmos todos da Igreja que estejam seriamente interessados em seguir para missões a se juntarem a nós em nossa sala de estar na sexta à noite”? Ela disse. sim. E duas vezes por ano (habitualmente) pelos próximos vinte anos, recebíamos cerca de cem pessoas em nossa sala de estar e sala de jantar com todos os móveis movidos para os quartos do andar de cima.

Então, se eu tivesse vinte e dois anos de novo, me casaria com essa mulher.

A lição para você: ore para que seu futuro, ou atual cônjuge, seja, mais do que qualquer outro, no mundo, o cristão mais radical, mais disposto a assumir riscos e que vá a qualquer lugar por Jesus.

2. Eu pegaria essa minha jovem esposa e iria para uma igreja que crê na Bíblia, que prega a Bíblia, estruturada na Bíblia e obediente à Bíblia.

Eu frequentaria o culto corporativo daquela igreja com minha esposa todos os domingos.

Procuraríamos nos lançar aos ministérios da igreja na esperança de que essa comunidade de crentes guardasse e aumentasse nossa fé, ajudasse a identificar nossos dons espirituais e nosso chamado, e nos catapultasse para uma vida de ministério.

Aos 22 anos, como recém-casados, Noël e eu ingressamos na igreja Lake Avenue Congregational Church em Pasadena, Califórnia. Noël descobriu o dom para trabalhar com jovens adultos com deficiência mental. E eu descobri o dom para ensinar quando lecionava para meninos da sétima, depois aos da nona série, e depois para a “Classe Galileus” de jovens adultos da Escola Dominical.

Onde seu chamado para o ministério ou missão é confirmado e alimentado? Na igreja local.

Estive sob os cuidados dos diáconos da Igreja Lake Avenue e fui encaminhado para a ordenação. Glenn Dawson ficou em contato comigo por três anos durante o seminário e por mais três anos durante os estudos de pós-graduação na Alemanha, até 1975, sete anos depois, quando fui ordenado ao ministério do evangelho na mesma igreja local. Um relacionamento incrível.

A lição para você: Encontre uma igreja que crê na Bíblia, que prega a Bíblia, estruturada na Bíblia e obediente à Bíblia. Participe, sirva, descubra seus dons e seja responsável perante a comunidade ao seguir o chamado de Deus.

3. Eu iria para o seminário.

Eu iria para o seminário e passaria três ou quatro anos totalmente imerso no mais rigoroso estudo da Bíblia em grego e hebraico, com o objetivo de estabelecer uma base para uma vida inteira vendo a glória de Cristo em sua palavra tão claramente que eu nunca vacilaria em meu compromisso de acreditar e falar o que a Bíblia ensina, em qualquer lugar do mundo que Deus me colocasse.

Eu não priorizaria os cursos práticos, mas cada chance que o currículo me desse, priorizaria cursos exegéticos, na suposição (que ainda acredito aos setenta e dois anos) que, em geral, as habilidades práticas são aprendidas melhor no trabalho da igreja; mas que o aprofundamento e aprimoramento das habilidades exegéticas alcançadas por uma vida de leitura frutífera são melhor realizados no rigoroso ato de dar e receber em uma classe, sob o olhar atento de um professor habilidoso.

Eu daria maior prioridade em aprender a penetrar no significado original – a intenção original – dos escritores bíblicos, porque esses são os mesmos significados e realidades que serão relevantes entre todos os povos do mundo – a qualquer momento, por todo tempo. Minhas ideias sobre o mundo ocidental moderno e minhas suposições sobre a aplicação desses significados à minha situação não são a questão principal quando Deus me coloca em um grupo de pessoas com uma cultura radicalmente diferente da minha. Mas os significados originais dos parágrafos da Bíblia são de suma importância. É isso que eu buscaria acima de todas as coisas.

A lição para você: quer você frequente ou não um seminário, torne-se o mais saturado da Bíblia possível, colocando-se sob a influência dos mais perspicazes professores da Bíblia, tanto os mortos quanto os vivos.

4. Eu resolveria ler minha Bíblia todos os dias pelo resto da minha vida.

Eu tornaria a leitura da Bíblia mais importante do que comer, fazer exercícios e beijar minha esposa.

Já se foram cerca de 18.340 dias desde que completei vinte e dois anos e acho que mais li minha Bíblia do que comi nesses dias. Certamente li minha Bíblia mais que assisti televisão ou filmes nesses dias. Eu li minha Bíblia nesses dias mais do que beijei minha esposa, porque muitas vezes me afastei dela, mas quase nunca me afastei da Bíblia.

Mas tenho aprendido algumas coisas sobre a leitura da Bíblia e, se eu tivesse vinte e dois anos novamente, minha resolução de ler a Bíblia soaria algo como isto:
Decido todos os dias, ao ler minha Bíblia, me esforçar através da névoa da vaga compreensão até o verdadeiro significado do próprio texto;
e eu me esforçaria através do significado do texto até a intenção da mente do autor – tanto a intenção humana quanto a divina;
e eu me esforçaria através dessa intenção até a realidade por trás de todas as palavras, gramática e lógica;
e eu insistiria nessa realidade até que se tornasse uma realidade emocionalmente experimentada, com emoções que correspondam à natureza da realidade;
e eu insistiria nessa experiência proporcionalmente emocional da realidade por trás do texto até que ela se transformasse em palavras e ações em minha vida;
e eu insistiria nessas palavras e ações emocionalmente experimentadas até que outros vissem essa realidade e se juntassem a mim nesse encontro com a palavra de Deus.

Nada é mais rapidamente revelado no campo missionário do que um encontro superficial com o Deus vivo e as realidades gloriosas que ele revelou nas Escrituras. A leitura superficial da Bíblia que não penetrar nas palavras, levando da intenção à realidade e da experiência à ação, será de pouca utilidade quando confrontada com as forças demoníacas massivas de povos não alcançados.

A lição para você: Leia sua Bíblia todos os dias da sua vida. Se você tem tempo para o café da manhã, nunca diga que não tem tempo para a palavra de Deus. Não aprecie a leitura da Bíblia pelo fato de sua consciência estar limpa quando a caixa da leitura da Bíblia estiver marcada em sua lista, mas desfrute do encontro vivo e sobrenatural com a realidade revelada por Deus nas Escrituras.

5. Eu me tornaria um hedonista cristão.

Ou seja, eu procuraria encontrar mais alegria em Deus do que em qualquer outra coisa no mundo, por uma questão de santidade pessoal, perseverança através da dor e promoção da glória de Deus.

Eu teria clareza e certeza a respeito da frase: Deus é mais glorificado em mim quando estou mais satisfeito nele.

O que significa que, por saborear a doçura das promessas de Deus, eu mataria qualquer sensação crescente de orgulho, autoconfiança, luxúria, cobiça e medo, pelo poder do Espírito Santo. Porque, a menos que esses pecados morram, eu serei perseguido pela inutilidade nesta vida e condenado na próxima.

Aos vinte e dois anos, eu reconheceria que, na luta pela alegria em Deus, através de todas as circunstâncias da vida, nas iluminadas ou nas sombrias, está a chave essencial em minha missão para uma vida de santidade autêntica e perseverança frutífera, onde Deus obtém a glória.

A lição para você: Torne-se um cristão hedonista, quer você chame a si mesmo assim ou não. Não vise a fama. Não almeje gratificação sexual. Não vise a riqueza. E não almeje segurança. Aponte para a alegria satisfatória em Deus, que o capacitará para humildade, castidade, simplicidade e amor sacrificial, que corre riscos.
6. Eu reconheceria que não sou meu, que fui comprado por um preço e que pertenço, corpo e alma, a Jesus Cristo para seu uso e sua glória neste mundo.

E eu me oferecia a Deus e diria a ele que ele pode fazer comigo o que quiser, a qualquer momento e em qualquer lugar.

E eu memorizaria o Salmo 25 e confiaria nas incríveis promessas de orientação que são dadas nesses versículos preciosos.

“Bom e reto é o SENHOR, por isso, aponta o caminho aos pecadores. Guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho”. (Sl 25.8–9)

A lição para você: Memorize o Salmo 25. Ore como se ele fosse seu. Entregue-se inteiramente a Deus e à sua missão. E confie nele.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Como corrigir um filho adulto que ainda mora com os pais? Por Tedd Tripp

No caso de filhos adultos que moram em nossa casa, é apropriado que os pais digam:

“Essa casa é nossa de uma maneira que não é sua casa. Você mora conosco por nossa generosidade e nós temos padrões que estabelecemos para a nossa família que nós esperamos que você obedeça. Então, em termos do tipo de música que ouvimos e até coisas como frequentar a igreja conosco no dia do Senhor, é assim que nossa família funciona e se você escolher morar em nossa casa como um jovem adulto, esperamos que você seguirá nossa maneira de fazer as coisas. Um dia, você terá sua própria casa e você estabelecerá os padrões da casa e, quando formos visitar você, não tentaremos mudar nada. Aceitaremos os padrões que você terá estabelecido para sua casa. Essa é nossa casa e se você quiser morar conosco, se for conveniente para você, ficamos felizes por isso, nós amamos você, mas nós esperamos que você respeite os padrões que estabelecemos em nossa casa.”

Eu creio que é importante que os pais de jovens adultos não tentem controlar suas vidas ou opinar sobre todas as decisões que tomam. Por exemplo, se eles decidem comprar um carro e nós achamos que não é uma decisão sábia, a decisão é deles. Se eles pedirem nosso conselho, nós podemos dar. Se eles cometerem um erro, o erro é deles. Eles podem aprender com o erro. Não temos que ficar dizendo o que devem fazer como faríamos com uma criança pequena. Eu creio que é extremamente arrogante quando um jovem diz: “Eu sou um adulto. Você não pode mandar em mim. Eu sou um adulto, então eu posso tomar minhas próprias decisões”.

Enquanto isso, eles moram na minha casa, na casa que eu comprei, são meus dependentes no plano de saúde, lavam suas roupas na minha máquina de lavar, às vezes é até a mãe que lava suas roupas, eles comem na nossa casa e nós compramos a comida, mas ainda querem dizer: “Sou um adulto. Você não pode mandar em mim”. “Se você é um adulto, consiga um apartamento e viva como um adulto. Se você quer morar na nossa casa, ficamos felizes com isso, mas reconheça que a casa é nossa. Se você é capaz de morar em nossa casa de uma maneira que respeita os nossos padrões, você é bem-vindo aqui. Se você acha que é um fardo muito grande para você, teremos prazer em ajudá-lo a encontrar um apartamento”.

Tu És Real

  https://www.youtube.com/watch?v=_u6jaRbBX20&list=RDcbmdmzJnHJo&index=5