quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A alegria em Cristo o manteve na China (Hudson Taylor)

A alegria em Cristo o manteve na China (Hudson Taylor)


“Confie nisso, a obra de Deus feita da maneira de Deus nunca terá falta do suprimento de Deus” (Hudson Taylor’s Spiritual Secret, 121). Quando Hudson Taylor escreveu essa frase, ele quis dizer todo tipo de necessidade que temos – dinheiro, saúde, fé, paz e força. E essa é a minha oração para este artigo: que você veja e experimente novas possibilidades para a sua vida – mais fé, mais alegria, mais paz, mais amor e todo o dinheiro que você precisa para fazer a vontade dele (que pode ser nenhuma).


E tudo isso é por causa de sua união com Cristo, como é colocado tão bem em um dos textos favoritos de Taylor: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades”. (Filipenses 4.19). E então, por causa de tudo isso, eu oro para que você se lance em algum empreendimento, algum sonho de ministério, além de todas as suas inadequações reais ou percebidas, para a glória de Cristo.
Conversão e Chamado para a China


Hudson Taylor nasceu em 21 de maio de 1832, em Barnsley, Inglaterra, em uma casa metodista devota. Com a idade de dezessete anos, ele foi drasticamente convertido através das orações de sua mãe. Quatro anos depois, em 19 de setembro de 1853, Taylor partiu para a China com a Sociedade Chinesa de Evangelização. Ele não tinha treinamento formal em teologia ou missões. Ele desembarcou em Xangai cinco meses e meio depois.


Ele aprendeu a língua rapidamente e, em seus dois primeiros anos na China, dedicou-se a dez extensas viagens evangelísticas ao interior. Então, em 20 de janeiro de 1858, quando ele estava na China a quase cinco anos, Taylor se casou com outra missionária, Maria Dyer. Eles estiveram casados por doze anos. Antes de Maria morrer aos trinta e três anos, ela deu à luz oito filhos. Três morreram no nascimento e dois na infância, e os que viveram até a idade adulta tornaram-se missionários na missão que seu pai fundou, a “China Inland Mission” (Missão no Interior da China).
Momento decisivo


Cinco anos depois, depois que Taylor começou sua própria agência missionária – a China Inland Mission – e em meio à prolongada frustração com suas próprias tentações e falhas de santidade, a experiência de “fazer história” aconteceu. Observe o que ele estava experimentando enquanto liderava à grande mudança. Ele escreveu para sua mãe,


“[A necessidade de sua oração] nunca foi maior do que no presente. Invejado por alguns, desprezado por muitos, odiado por outros, muitas vezes culpado por coisas das quais nunca ouvi falar ou que não tinha nada a ver, inovador naquilo que se tornou regras estabelecidas de prática missionária, oponente de sistemas poderosos de erro e superstição pagãos. Trabalhando sem precedentes em muitos aspectos e com poucos ajudantes experientes, muitas vezes doentes no corpo, perplexos na mente e constrangidos pelas circunstâncias – se o Senhor não tivesse sido especialmente gracioso para comigo, se minha mente não tivesse sido sustentada pela convicção de que o trabalho é dele e que ele está comigo. . . Eu teria enfraquecido ou desmoronado. Mas a batalha é do Senhor e ele conquistará”. (Hudson Taylor’s Spiritual Secret, 140–41)


O palco estava montado para a crise que aconteceu em 4 de setembro de 1869, em Zhenjiang. O que aconteceu naquele dia não foi efêmero. Ele olhou para trás quase trinta anos depois, dando graças pela experiência permanente:


“Jamais esqueceremos a bênção que recebemos, há quase trinta anos, através das palavras, em João 4.14 ‘aquele, porém, que beber da água que eu lhe der NUNCA MAIS TERÁ SEDE’. Quando percebemos que Cristo literalmente disse o que disse – que “nunca mais” significa nunca mais, e “terá” significa terá e “sede” significa sede – nosso coração transbordou de alegria ao aceitarmos a dádiva. Oh, a sede com a qual nos sentamos, mas oh, a alegria com a qual saltamos do nosso assento, louvando ao Senhor porque todos os dias de sede do passado se foram, ​​e para sempre! (Separation and Service, 46)


Devemos ter cuidado para não sermos cínicos aqui. Taylor não era ingênuo. Ele estava falando de uma experiência de trinta anos em que ele lutou com alguns tempos muito difíceis. “Os dias de fome foram todos passados” não significa que ele nunca teve desejos por Jesus novamente. Vamos nos voltar para o que isso significa em breve. Mas, por enquanto, devemos simplesmente estar cientes de que, como escreveu seu mais completo biógrafo, toda a sua vida “veio a ser revolucionada” por essa experiência (The Shaping of Modern China, Vol. 2, 109).
Mantido pela União com Cristo


E no momento certo também. O ano seguinte, 1870, foi o mais difícil de sua vida. Seu filho Samuel morreu em janeiro. Então, em julho, Maria deu à luz outro filho, Noel, que morreu duas semanas depois. E para coroar as tristezas de Hudson, em 23 de julho, Maria morreu de cólera. Ela tinha trinta e três anos e deixou Hudson com trinta e oito anos e com quatro filhos vivos.


Era como se Deus tivesse dado a Taylor sua experiência extraordinária do Cristo que tudo satisfaz não como uma espécie de cobertura do bolo da conversão, mas sim como uma maneira de sobreviver e prosperar nas piores tristezas, que lhe ocorreram quase imediatamente.


Um ano depois, Taylor partiu para a Inglaterra. Enquanto ele estava lá, em 28 de novembro de 1871, se casou com a mulher com quem ele passaria quase todo o resto de sua vida, Jennie Faulding. Eles estiveram casados por trinta e três anos antes dela morrer em 1904, um ano antes dele.


Em fevereiro de 1905, Taylor navegou pela China pela última vez. Após uma visita a algumas das estações missionárias, ele morreu no dia 3 de junho em Changsha, Hunan, aos setenta e três anos de idade. O ano de 2015 marcou o 150º aniversário da missão que Taylor fundou. Em 1900, havia cem mil cristãos na China, e hoje são cerca de 150 milhões. Esse crescimento é a obra de Deus: um planta, outro rega, mas Deus dá o crescimento (1Coríntios 3. 6). No entanto, também é fruto do trabalho fiel. E Taylor trabalhou mais tempo e mais arduamente do que a maioria. Esse trabalho foi sustentado pela união com Cristo. Voltaremos a isso para ver o que essa união significava para Taylor.
Queda das Escamas


Em 4 de setembro de 1869, aos trinta e sete anos de idade, Taylor encontrou uma carta de John McCarthy à sua espera em Zhenjiang. Deus usou a carta para revolucionar a vida de Taylor. “Quando minha agonia de alma estava no auge, uma frase em uma carta do querido McCarthy foi usada para remover as escamas de meus olhos, e o Espírito de Deus revelou-me a verdade de nossa união com Jesus como eu nunca havia conhecido antes” (Hudson Taylor’s Spiritual Secret, 149).


A oração de Efésios 1.18 foi respondida como nunca antes: “iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes…” Taylor disse: “Enquanto eu lia, eu via tudo! . . . Eu olhei para Jesus e vi (e quando eu vi, oh, como a alegria fluía!) que Ele havia dito: “Eu nunca te deixarei”.


“Eu vi não somente que Jesus nunca me deixaria, mas que sou um membro de seu corpo, de sua carne e de seus ossos. A videira não é a raiz apenas, mas toda – raiz, caule, galhos, ramos, folhas, flores, frutos. E Jesus não é só isso – Ele é terra, luz do sol, ar e chuvas, e dez mil vezes mais do que jamais sonhamos, desejamos ou precisamos. Oh, a alegria de ver essa verdade”! (Hudson Taylor’s Spiritual Secret, 149–50)


Taylor experimentou uma revelação tão poderosa da inexprimível realidade da união com Cristo, como um fato absoluto e glorioso de segurança, doçura e poder, que carregava nele sua própria eficácia. “Como conseguir a fé fortalecida? Não lutando pela fé, mas apoiando-se naquele que é fiel” (Hudson Taylor’s Spiritual Secret, 149).
Décadas de descanso em Jesus


Agora, é bem conhecido que Taylor foi significativamente influenciado pelo Movimento “Keswick” e suas visões de santificação, que, nos piores representantes, são seriamente defeituosas. Minha conclusão é que Taylor não foi um dos piores representantes, e que ele estava protegido das piores falhas de Keswick por sua fidelidade à Bíblia, sua experiência de sofrimento e tristeza ao longo da vida e sua crença na soberania de Deus.


Primeiro, Taylor estava saturado com a Bíblia, e a interpretação de sua experiência era moderada pela Bíblia. Isso significa que, em sua experiência, a caminhada de fé não foi tão passiva quanto ele fazia parecer.


Ao longo dos anos, Taylor temperou sua linguagem, mas nunca perdeu a maravilha de estar realmente unido à videira. Sua vida foi uma afirmação retumbante de que Deus usa meios para preservar, aprofundar e intensificar nossa experiência de união com Cristo. Nas palavras do próprio Taylor, “a comunhão com Cristo requer que nos aproximemos dele. Meditar sobre sua pessoa e sua obra requer o uso diligente dos meios da graça e especialmente a leitura piedosa de Sua Palavra. Muitos falham porque habitualmente jejuam em vez de se alimentar” (Hudson Taylor’s Choice Sayings, 2). O novo padrão de Taylor era ir para a cama mais cedo e depois acordar às cinco horas da manhã “para dedicar tempo ao estudo da Bíblia e oração (muitas vezes duas horas) antes do início do trabalho do dia” (Hudson Taylor’s Spiritual Secret, 145).


A segunda razão pela qual a experiência de mudança de vida de Taylor durou foi que ele via o sofrimento como a maneira usada por Deus para aprofundar e incentivar sua experiência de união com Cristo.


O agricultor faz muitas coisas pelos ramos. Mas a única tarefa em que Jesus se concentrou em João 15 foi podar ou cortar. O objetivo disso é preservar, intensificar e tornar frutífera a união do ramo com a videira. Taylor disse:


“É somente no julgamento da graça de Deus que sua beleza e poder podem ser vistos. Então todas as nossas provações de temperamento, circunstâncias, provocações, doenças, desapontamentos e privações darão um melhor polimento ao espelho, e nos capacitarão a refletir mais completa e perfeitamente a glória e bem-aventurança de nosso Mestre. (Days of Blessing in Inland China, 61)


Finalmente, sua experiência de doce união com Cristo durou porque ele abraçou a absoluta bondade e soberania de Deus em seu sofrimento e sua união com Cristo. Quando ele tinha cinquenta e dois anos e estava confinado na cama e se sentindo esquecido, ele escreveu: “Então decida que Deus é infinitamente soberano, e tem o direito de fazer o que quiser com o que é seu, e ele não pode explicar a você mil coisas que podem confundir sua razão em seu tratamento com você ” (It Is Not Death to Die, 8).


Em outras palavras, o agricultor pode usar qualquer coisa e qualquer pessoa que ele desejar para podar o ramo que ele ama (João 15.1–2).
Cheio da plenitude de Deus


Embora o ensinamento de Keswick possa, em muitos casos, enfatizar demasiadamente a passividade da busca da santidade e exagerar quanto às manifestações de experiências de consagração como meio de entrar na “vida superior”, a vida de Taylor testemunha a possibilidade de viver em meio às dificuldades com mais paz, mais alegria e mais frutos do que a maioria de nós gosta.


Se Deus lhe der um momento de experiência dessa percepção que dure pela vida toda, como ele fez com Hudson Taylor, ou levar você a ir se aprofundando ao longo do tempo, não se contente com nada menos do que Paulo experimentou em Filipenses 4 e pelo que ele orou em Efésios 3.19: “para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus”. Não pare de desejar essa plenitude e persegui-la.


Se Hudson Taylor estivesse aqui, ele diria: “É seu em Cristo. Tome posse disso. Aproveite. Quem sabe? Deus pode fazer nascer, através de você, um ministério que dure 150 anos”.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Tempestades da vida.

Em meio aos problemas da vida nada melhor do que a Palavra do próprio Deus para nos trazer paz e consolo aos nossos corações. Louvores sempre nos ajudam nas situações difíceis nos lembrando do Deus Altíssimo que é o nosso refúgio. Portanto, porque não nos lembrarmos do livro de Salmos que é uma grande coletânea de louvores e orações? Os Salmos são hinos teocêntricos escritos por homens pecadores que sabiam que precisavam de um Salvador.

Aqui estão 10 versículos retirados dos Salmos que nos lembram da confiança que precisamos ter na providência de Deus. Guarde-os em seu coração:

1. “O Senhor é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte.” (Salmos 18:2)

2. “O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio.” (Salmos 91:1-2)

3. “Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia.” (Salmos 84:12)

4. “Senhor, Deus meu, em ti me refugio; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me;” (Salmos 7:1)

5. “Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, Senhor , não desamparas os que te buscam.” (Salmos 9:10)

6. “Nossos pais confiaram em ti; confiaram, e os livraste.” (Salmos 22:4)

7. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará.” (Salmos 37:5)

8. “Em me vindo o temor, hei de confiar em ti.” (Salmos 56:3)

9. “Uns confiam em carros, outros, em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Senhor , nosso Deus.” (Salmos 20:7)

10. “Melhor é buscar refúgio no Senhor do que confiar no homem.” (Salmos 118:8)


Por: Filipe Castelo Branco. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original: Versículos sobre a Confiança em Deus.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Mulheres fiéis no casamento

Mulheres fiéis no casamento

O trecho abaixo foi extraído do livro Mulheres Fiéis e seu Deus Maravilhoso, de Noël Piper, Editora Fiel.
Jonathan Edwards e Sarah Pierrepont se casaram, finalmente, em 28 de julho de 1727. Ela tinha dezessete anos, e ele, vinte e quatro. Jonathan vestia uma peruca e uma nova veste clerical, que ganhou de sua irmã, Mary. Sarah usava um vestido de cetim verde bordado.
Temos apenas vislumbres do grande amor entre eles. Certa vez, Jonathan usou o exemplo do amor entre um homem e uma mulher para exemplificar o amor a Deus. “Quando temos uma ideia do amor de alguém por determinada coisa, se for o amor de um homem por uma mulher… não conhecemos completamente o amor dele; temos apenas uma ideia de suas ações que são os efeitos do amor… Temos uma leve e vaga noção de suas afeições.”
Jonathan tornou-se pastor em Northampton, seguindo os passos de seu avô, Solomon Stoddard. Começou este ministério em fevereiro de 1757, apenas cinco meses antes de seu casamento, em New Haven.
Sarah não passou desapercebida em Northampton. De acordo com os costumes da época, um biógrafo imagina a chegada de Sarah à igreja de Northampton:
Qualquer pessoa bonita que chegue a um vilarejo gera curiosidade. Contudo, quando tal pessoa é também a esposa do novo pastor, causa intenso interesse. A maneira como os bancos da igreja eram dispostos naquela época, davam destaque à família do pastor como uma bandeira tremulando… Por isso, os olhos de cada pessoa da cidade estavam sobre Sarah, enquanto ela se movia em seu vestido de noiva.
O costume ditava que uma noiva, em seu primeiro domingo na igreja, vestisse seu vestido de noiva e caminhasse vagarosamente, para que todos pudessem observá-lo bem. As noivas também tinham o privilégio de escolherem o texto a ser pregado no primeiro domingo após o seu casamento. Não há registro a respeito do texto que Sarah escolheu, mas seu versículo favorito era: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Rm 8.35). É possível que ela tenha escolhido este versículo como texto para a pregação.
Ela tomou seu lugar no assento designado a simbolizar o seu papel – um banco alto de frente para a congregação, onde todos poderiam perceber o menor sinal de expressão. Sarah havia sido preparada para esta posição de evidência a cada domingo de sua infância, na comunidade de New Haven, mas era diferente de ser, ela mesma, a esposa do pastor. Outra mulher poderia bocejar ou mover furtivamente o pé, numa manhã fria de janeiro, dentro de uma igreja sem aquecimento. Ela nunca.
Marsden diz: “No outono de 1727 [cerca de três meses após o casamento], Jonathan tinha recuperado sua conduta espiritual, principalmente sua habilidade em aprofundar a intensidade espiritual que havia perdido por três anos”.
O que fez a diferença? Talvez ele estivesse mais apto para uma posição na igreja do que para o cenário acadêmico, em Yale, onde lecionava, antes de aceitar o cargo pastoral. Aparentemente, sua recuperação também estava relacionada ao casamento. Durante cerca de três anos antes de casar-se, além de sua rigorosa ocupação acadêmica, Jonathan se refreara sexualmente, ansiando pelo dia em que ele e Sarah seriam uma só carne. Quando iniciaram a vida juntos, ele era um novo homem. Tinha encontrado seu lar e o céu na terra.

Sarah como esposa

Quando Sarah iniciou seu papel de esposa, deu a Jonathan liberdade para buscar os combates filosóficos, científicos e teológicos que fizeram dele o homem que nós honramos. Edwards era um homem a quem as pessoas reagiam. Era diferente, intenso. Sua força moral era uma ameaça às pessoas inclinadas ao rotineiro. Após adentrar seus pensamentos às verdades bíblicas e implicações teológicas ou aos assuntos eclesiásticos, ele não voltava atrás em suas descobertas.
Por exemplo, ele compreendia que somente os crentes deveriam tomar a Ceia do Senhor na igreja. A igreja de Northampton não ficou feliz quando Edwards foi contra os padrões mais fracos de seu avô, que permitia que mesmo os descrentes tomassem a Ceia, desde que não tivessem participação em pecado aberto. Esse tipo de controvérsia significava que Sarah, em segundo plano, também era afetada pela oposição que seu marido enfrentava.
Edwards era um pensador que mantinha ideias em sua mente, ponderando-as, separando-as, juntando-as a outras ideais e testando-as contra outras partes da verdade de Deus. Tal homem alcança o auge quando as idéias separadas juntam-se numa verdade maior. Mas, também é o tipo de homem que pode encontrar-se em covas profundas, no caminho à verdade.
Não é fácil viver com um homem assim. Mas Sarah encontrou meios de construir um lar feliz para ele. Ela o assegurou de seu amor constante e criou uma atmosfera e uma rotina, nas quais ele gozava de liberdade para pensar. Ela entendia que, quando ele estava absorto em um pensamento, não queria ser interrompido para jantar. Compreendia que suas sensações de alegria ou tristeza eram intensas. Edwards escreveu em seu diário: “Frequentemente, tenho visões muito comoventes de minha própria pecaminosidade e perversidade, a ponto de me levar a um choro alto… que sempre me força a ficar a sós”.
A cidade via um homem sereno. Sarah conhecia as tempestades que existiam dentro dele. Ela conhecia o Jonathan da intimidade do lar.
Samuel Hopkins escreveu:
Enquanto ela tratava seu marido com acatamento e inteiro respeito, não poupava esforços para conformar-se às inclinações dele e tornar tudo em família agradável e prazeroso, fazendo disso sua maior glória e o modo como poderia melhor servir a Deus e à sua geração [e a nossa, podemos acrescentar]; e isso tornava-se o meio de promover o benefício e a felicidade de seu marido.
Portanto, a vida no lar dos Edwards era moldada, em sua maior parte, pelo chamado de Jonathan. Uma das notas de seu diário dizia: “Penso que, ao ressuscitar de madrugada, Cristo nos recomendou levantar bem cedo pela manhã”. Levantar-se cedo era um hábito de Jonathan. Durante anos, a rotina da família era acordar cedo, junto com ele, ler um capítulo da Bíblia à luz de velas e orar, pedindo a bênção de Deus para aquele novo dia.
Jonathan tinha o hábito de fazer algum trabalho físico durante uma parte do tempo, todos os dias, para exercitar-se – por exemplo, cortar lenha, consertar cercas ou trabalhar no jardim. Mas Sarah tinha a maior parte da responsabilidade em cuidar da propriedade.
Com frequência, Jonathan estudava treze horas por dia. Isto incluía muita preparação para os domingos, com o ensino bíblico. Mas também incluía os momentos em que Sarah ia conversar, ou quando os membros da igreja paravam para uma oração ou aconselhamento.
À noite, os dois andavam a cavalo pela floresta para exercitar-se, respirar ar puro e conversar. E, então, oravam juntos novamente.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

6 sugestões para um namoro cristão

Nesta quarta-feira 12 de junho se comemora o dia dos namorados. Pediram-me para escrever algo sobre o assunto mas a verdade é que estou meio sem ter o que dizer. Afinal, costumo escrever somente (mas nem sempre) sobre assuntos acerca dos quais eu possa encontrar fundamentação bíblica, um cacoete da minha formação na área de hermenêutica e estudos bíblicos.

O problema é este mesmo. Namorar não fazia parte da cultura do Antigo Oriente Médio, onde e quando a Bíblia foi escrita. Naquela época e naquele lugar o costume era outro. Os casamentos eram normalmente arranjados pelos pais. Havia uma cerimônia inicial de compromisso em que os dois se comprometiam. Depois de algum tempo vinha o casamento propriamente dito.

Assim, é um erro muito grande – e muito comum – pegar passagens bíblicas que se referem ao casamento e aplicar ao namoro. Como querer que a namorada seja submissa usando Efésios 5:22.

Contudo, mesmo não tendo direções específicas na Bíblia com referência a este período chamado de namoro, encontramos princípios gerais que podem ser aplicados. Menciono três deles.

1) A necessidade de pureza – a castidade e a pureza sexual são claramente ensinados na Bíblia. O problema com o namoro é que ele abre a porta para a exploração física dos corpos dos namorados, provocando o excitamento sexual, apalpamento dos órgãos genitais e não infrequentemente as relações sexuais. Os namorados cristãos devem controlar-se e evitar toda e qualquer situação em que possam ser tentados a avançar o sinal vermelho. Em 1Tessalonicenses Paulo adverte:

Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador, porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação (1Tess 4:3-7).

“Defraudar” na passagem acima é você criar desejos e expectativas que não poderá cumprir de maneira lícita. A defraudação acontece quando os dois se excitam sexualmente, ficam prontos para o ato sexual quando o mesmo não pode ser realizado, pois seria fornicação. Portanto, um princípio geral que se aplica ao namoro é que o mesmo deve ser casto, puro e sem provocações à impureza. Não vou aqui cair na armadilha de tentar definir que tipo de beijo pode e que tipo não pode. Acho que o bom senso nos diz que quando a troca de beijos começa a provocar outras coisas, está na hora de parar.

2) A idolatria – consiste em colocar o namorado ou a namorada como o centro da vida, deixando Deus de lado. Comunicações constantes, telefonemas constantes e longos, mensagens trocadas a cada 15 minutos, contato via redes sociais o dia todo… tudo isso acaba virando uma obsessão que dá em idolatria. O namoro não é para isto. É um período de conhecimento intelectual, emocional e espiritual entre os dois. Namorados costumam se apegar em demasia um ao outro como se o outro fosse capaz de preencher o vazio e a necessidade que cada um de nós tem. Quando um namoro assim acaba, o desespero toma lugar, e não poucas vezes, suicídios. Namorados precisam manter distância segura. Um relacionamento intenso assim é para o casamento, e mesmo então, com cuidado para que não aconteça a idolatria. A Bíblia é clara: o Senhor Jesus é quem deve ter o primeiro lugar em nossas vidas, e somente nEle devemos buscar a plena satisfação para nossa alma cansada, aflita e sedenta.

3) A demora em casar – Paulo ensina que aqueles que não podem conter-se devem casar-se, pois é melhor casar do que viver abrasado (1Cor 7:9). Namoros longos e demorados acabam provocando a fornicação e a impureza sexual. Hoje em dia os jovens começam a namorar cedo demais e casam tarde demais. Começam aos 15 anos e querem casar somente quando tiverem casa própria, emprego fixo, etc – ou seja, aos 30 anos. Neste intervalo de 10 a 15 anos fica muito difícil permanecer casto, virgem e puro. O resultado são as escapadas para os motéis ou o banco de trás dos carros, quando não o próprio quarto em casa dos pais.

Bom, já escrevi aqui antes sobre sexo antes do casamento. Para quem ainda não viu, aqui vai:

Vergonha de Ser Virgem
Reprimir o Desejo Sexual Faz Mal?
Carta a um Jovem Evangélico que Faz Sexo com a Namorada
Algumas sugestões aos namorados cristãos:

1. Evitem situações de risco. Não fiquem muito tempo sozinhos em locais discretos. Não avancem nas carícias.

2. Leiam a Bíblia e orem juntos. Leiam bons livros sobre namoro e casamento. Frequentem os cultos, a Escola Dominical e outros grupos de estudo.

3. Não se isolem em si mesmos, procurem a companhia de outros jovens, saiam em grupo para programações sociais.

4. Envolvam os seus pais, procurem conhecê-los e ouçam seus conselhos.

5. Mantenham distância um do outro. Não transforme seu namorado (a) num deus.

6. Namore pensando em casar e não somente para se divertir. Leve o namoro a sério. Namoricos irresponsáveis quebram corações, criam mágoas e ressentimentos e marcam as pessoas.

Se usado dentro dos princípios bíblicos de pureza e dedicação a Deus, o namoro pode ser um período proveitoso de conhecimento mútuo e de preparação para o casamento.

Uma última coisa – tem gente que seria muito mais feliz se não tivesse casado. O celibato (ficar solteiro e puro) é uma opção bíblica válida de vida.

Augustus Nicodemus

segunda-feira, 6 de maio de 2019

O Grande Pastor

Quando ouvimos a palavra pastor, geralmente pensamos em um homem educado, de maneiras gentis, em uma postura descontraída, cercada por ovelhas pastando serenamente em um vale com belas colinas. Mas isso é apenas parte da imagem. Os pastores são em primeiro lugar os guardiões e protetores das ovelhas. Eles devem ser gentis e fortes, ternos e corajosos, cuidadosos e severos. Hoje em dia, em muitas partes do mundo, como no antigo Oriente Próximo, os pastores são alguns dos mais habilidosos caçadores e guerreiros de seu povo.


É por isso que Jesus chama a si próprio de o “Grande Pastor”, e ele não conduz suas ovelhas indo atrás delas com um chicote, mas chamando-as pelo nome e conduzindo-as por pastos verdejantes.

Antes de enfrentar Golias, Davi descreveu ao rei Saul como ele defendia as ovelhas de seu pai: “Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; quando veio um leão ou um urso e tomou um cordeiro do rebanho, eu saí após ele, e o feri, e livrei o cordeiro da sua boca; levantando-se ele contra mim, agarrei-o pela barba, e o feri, e o matei”. (1Sm 17.34). Davi sabia o que significava cuidar das ovelhas de seu pai, também sabia tudo o que era necessário para proteger as ovelhas não apenas dos predadores, mas também para evitar que elas lutassem entre si e ferissem umas às outras, além de evitar que se afastassem do rebanho e caíssem de um penhasco. Davi era habilidoso em usar uma funda e, sem dúvida, era hábil em usar seu cajado e seu bordão. Enquanto a funda era usada para parar os predadores à distância, o bordão era um bastão curto que podia ser lançado com grande velocidade em direção a um predador que se aproximasse rapidamente. O bordão também era usado para disciplinar ovelhas quando elas estavam lutando entre si, para examinar as ovelhas, sob sua lã, para garantir que elas estivessem livres de doenças de pele, e para numerar as ovelhas (Ez 20.37). O cajado era um bastão muito mais longo e fino, com um gancho no final que era usado para muitos propósitos, principalmente para guiar as ovelhas e resgatá-las dos matagais ou do penhasco de uma rocha. Enquanto a funda estava tipicamente escondida, a vara e o cajado do pastor eram sempre visíveis para as ovelhas. O pastor andava e morava entre suas ovelhas, ele estava sempre com elas ao invés de estar em uma colina com vista para o rebanho. Seu cajado e seu bordão, as ferramentas que ele usava para guardar, resgatar e proteger suas ovelhas, eram um conforto constante para o seu rebanho.

O quadro bíblico completo que o Senhor pinta para nós é o de um Pastor-Guerreiro que cuida de suas ovelhas. Ele as disciplina amorosamente, as resgata e as protege de si mesmas e de seus inimigos. É por isso que Jesus chama a si mesmo de o Grande Pastor, e ele não conduz suas ovelhas indo atrás delas com um chicote, mas chamando-as pelo nome e conduzindo-as por pastos verdejantes. Pois ele é o autor, o precursor e o comandante da nossa fé, que vai adiante, dando a vida pelas suas ovelhas, e é o consumador da nossa fé, que nos protege e preserva até o fim.


Burk Parsons

terça-feira, 16 de abril de 2019

Sem medo!

O trecho abaixo foi extraído com permissão do livro Sem Medo da Minha Idade, de Elyse Fitzpatrick, Editora Fiel.

Embora as estatísticas pareçam dizer o contrário, eu não acredito que nossos casamentos deterioram somente porque entramos em nossa quarta década. Acredito que é um problema que se vem desenvolvendo há mais tempo, mas que apenas agora finalmente percebemos quanto a casa se tornou silenciosa. Entrar no entardecer da vida não é o que faz com que o casamento, misteriosamente, se torne algo de humor negro com um final pavoroso. O filme está em cartaz há algum tempo. Mas nós estávamos ocupadas demais com o treino de futebol, com os trabalhos de ciências e com as festas de aniversário para perceber que os fundamentos de nossa vida juntos têm-se deteriorado.

Pense em como era a vida antes de termos filhos. Para algumas de nós, o começo pode ter sido difícil; para outras, contudo, foi adorável e tranquilo. Reflita agora sobre as seguintes questões:
O que eu amava sobre meu marido quando me casei com ele?
Quando foi a última vez que me alegrei por estar com ele?
Sobre o que conversávamos antes de nossos filhos tornarem a comunicação significativa mais difícil?
Quando foi a última vez que você agradeceu a Deus de coração por seu marido?
Quando você ficou na expectativa de passar algum tempo sozinha com ele?
Cavernas de renúncia benigna

Adoro a passagem do evangelho de João sobre Maria e a morte e a ressurreição de seu irmão, Lázaro. Você se lembra da história da visita que Jesus fez a esses três solteiros — Maria, Marta e Lázaro. Jesus desafiou as convenções culturais da época quando defendeu o desejo de Maria assentar-se aos seus pés em vez de cumprir com suas obrigações na cozinha. Seu coração era cheio de fé e de intenso amor por seu mestre.

Mas, algum tempo depois de Jesus ter deixado Betânia, Lázaro ficou doente. “Está enfermo aquele a quem amas”, escreveu Maria ao seu Senhor. É como se ela tivesse dito: “Por favor, venha ajudá-lo”. Mas, depois, lemos a frase mais surpreendente: “Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava” (Jo 11.6). Nesse ínterim, Lázaro morreu.

Você é capaz de imaginar a confusão, a decepção e o desespero de Maria? Você consegue imaginar o diálogo entre Maria e Marta, uma tentando encorajar a outra enquanto a doença de Lázaro só piorava?

“Não se preocupe”, talvez tenha dito Maria. “O mestre virá.”

“Fui informada de que ele está somente a dois dias de distância.” “Se ele se apressar, pode ajudar Lázaro.”

Até que Lázaro morreu. “Onde está o Senhor?”, certamente perguntavam-se eles. “Por que não veio?” E, enquanto elas preparavam o corpo de Lázaro, embrulhando-o em panos para que fosse sepultado e ungindo-o com o precioso bálsamo, encheram-se de desgosto e desespero. Eles eram amigos de Jesus. Ele seria capaz de curá-lo. Ele seria capaz de impedir que ele morresse. Mas a realidade é que quatro dias já se haviam passado e findaram-se todas as esperanças de seus corações, assim como a vida deixara o corpo de Lázaro.


Se estiveras aqui

Embora a maioria de nós não tenha experimentado o sofrimento de perder um amado irmão mais novo por causa de uma enfermidade, todas nós conhecemos o desespero de contemplar a morte dos sonhos que tínhamos para nosso casamento. Talvez você não tenha refletido ultimamente sobre determinados aspectos de seu casamento — expectativas e esperanças para seu relacionamento com seu marido

—, então eu quero ajudá-la a examinar um pouco de seu coração, pedindo que você reflita seriamente sobre essas questões.
Qual parte de seu casamento é como o túmulo de Lázaro?
Quais são os sonhos que você já sepultou, selando o sepulcro com uma pedra, para que seus olhos desiludidos não tivessem de contemplar a vergonha do fracasso?
Quais são os aspectos do casamento pelos quais você não ora mais, sobre os quais não fala mais e para os quais não tem mais esperança?
Quais esperanças são dolorosas demais para sequer pensar em ressuscitá-las?
Você enxerga a si mesma como alguém que foi criada para ser a auxiliadora de seu marido? Para tentar se defender, você se tornou independente e autossuficiente?
Quais assuntos tornaram-se anátemas para você porque agora finalmente conseguiu desenvolver uma dura camada de proteção sobre suas decepções e seria muito doloroso removê-la?
Qual parte de seu coração é como o túmulo de Lázaro? Escuro, sem vida e com o mau cheiro do remorso e do “se ao menos”?

Talvez você não esteja prestes a se divorciar, talvez você esteja, mas, se reconhecer que existem segmentos de seu coração nos quais você cedeu para o que minha amiga Carol Cornish chama de “renúncia benigna”, então você sabe do que estou falando.

Por favor, não me interprete mal. Não estou dizendo que você tenha desistido do Senhor. Tenho certeza de que Marta e Maria sabiam que Jesus era capaz de ajudar se quisesse. As duas criam na ressurreição. O problema não era a ortodoxia da fé delas. O problema era que elas não tinham uma fé suficientemente profunda para alcançar as circunstâncias desoladoras que estavam vivenciando naquele momento. A fé não alcançou as trevas da decepção e, embora estivessem de luto, elas encontraram um mecanismo de autodefesa para conseguir levar a vida adiante. Não estou dizendo que é errado esforçar-se para lidar com a decepção. Todos nós fazemos isso. O que não podemos fazer é tentar mascarar nossas decepções com a dissimulação, colocando no rosto um sorriso corajoso, mas insincero, enquanto, mergulhadas na incredulidade, dizemos entre os dentes: “Está tudo bem… eu estou bem, sim”.

Agora é hora de relembrar aquelas fendas escuras de incredulidade e desespero e de convidar Cristo para agir com o poder da ressurreição. Talvez você precise começar a orar por seu marido como nunca orou antes. Talvez agora seja a hora de você dizer que, independentemente de ele mudar ou não, você vai encontrar fé para dizer mais do que: “Está tudo bem… estou bem, sim”. Você precisa ter a fé que diz: “Essas coisas são um bem na minha vida. Meu Pai celestial está usando essa circunstância para sua glória e para o meu bem. Então, embora eu quisesse que meu marido mudasse em algumas áreas, posso me alegrar até mesmo quando ele não muda. O que antes era um cadáver apodrecido de incredulidade tornou-se uma fonte de vida, fé e alegria para mim, pois eu consigo enxergar a mão do meu Pai”.

A presença de Jesus transforma morte em vida, trevas em luz e tragédia em bênção! Jesus faz com que aquilo que antes parecia ser maldição torne-se fonte de alegria. Talvez seu marido não seja hoje (ou talvez nunca tenha sido) o que você esperava que ele fosse. Mesmo assim, Deus prometeu que lhe dará tudo aquilo de que você precisa para a vida e piedade no conhecimento dele. A verdade difícil, mas reconfortante, é que o marido que você recebeu de Deus é aquele de quem você precisa para aprender sobre o caráter de Deus. Ele escolheu seu marido para que Deus possa moldá-la na auxiliadora que ele quer que você seja. Com que objetivo? Você se lembra do que escrevi no primeiro capítulo? Ele lhe deu o marido que você tem para a glória de Deus e para seu bem maior. Então, em todas as situações em que você sente que está sofrendo ou que se sente decepcionada, pode se alegrar com o fato de Deus haver preparado esse problema com propósitos que se estendem para além de sua felicidade imediata — rumo à eternidade.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Declaração de Cambridge

Os Cinco Solas da Reforma
Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria

por

Declaração de Cambridge

SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade

Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.

Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.

A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.

A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.

Tese 1: Sola Scriptura

Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.

Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.



SOLO CHRISTUS: A Erosão da Fé Centrada em Cristo

À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.

Tese 2: Solus Christus

Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.

Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.


SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho

A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.

A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.

Tese 3: Sola Gratia

Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.

Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.



SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial

A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.

Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.

Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

Tese 4: Sola Fide

Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.

Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.


SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus

Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

Tese 5: Soli Deo Gloria

Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.

Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.


Fonte: Declaração de Cambridge

Tu És Real

  https://www.youtube.com/watch?v=_u6jaRbBX20&list=RDcbmdmzJnHJo&index=5