Quando ouvimos a palavra pastor, geralmente pensamos em um homem educado, de maneiras gentis, em uma postura descontraída, cercada por ovelhas pastando serenamente em um vale com belas colinas. Mas isso é apenas parte da imagem. Os pastores são em primeiro lugar os guardiões e protetores das ovelhas. Eles devem ser gentis e fortes, ternos e corajosos, cuidadosos e severos. Hoje em dia, em muitas partes do mundo, como no antigo Oriente Próximo, os pastores são alguns dos mais habilidosos caçadores e guerreiros de seu povo.
É por isso que Jesus chama a si próprio de o “Grande Pastor”, e ele não conduz suas ovelhas indo atrás delas com um chicote, mas chamando-as pelo nome e conduzindo-as por pastos verdejantes.
Antes de enfrentar Golias, Davi descreveu ao rei Saul como ele defendia as ovelhas de seu pai: “Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai; quando veio um leão ou um urso e tomou um cordeiro do rebanho, eu saí após ele, e o feri, e livrei o cordeiro da sua boca; levantando-se ele contra mim, agarrei-o pela barba, e o feri, e o matei”. (1Sm 17.34). Davi sabia o que significava cuidar das ovelhas de seu pai, também sabia tudo o que era necessário para proteger as ovelhas não apenas dos predadores, mas também para evitar que elas lutassem entre si e ferissem umas às outras, além de evitar que se afastassem do rebanho e caíssem de um penhasco. Davi era habilidoso em usar uma funda e, sem dúvida, era hábil em usar seu cajado e seu bordão. Enquanto a funda era usada para parar os predadores à distância, o bordão era um bastão curto que podia ser lançado com grande velocidade em direção a um predador que se aproximasse rapidamente. O bordão também era usado para disciplinar ovelhas quando elas estavam lutando entre si, para examinar as ovelhas, sob sua lã, para garantir que elas estivessem livres de doenças de pele, e para numerar as ovelhas (Ez 20.37). O cajado era um bastão muito mais longo e fino, com um gancho no final que era usado para muitos propósitos, principalmente para guiar as ovelhas e resgatá-las dos matagais ou do penhasco de uma rocha. Enquanto a funda estava tipicamente escondida, a vara e o cajado do pastor eram sempre visíveis para as ovelhas. O pastor andava e morava entre suas ovelhas, ele estava sempre com elas ao invés de estar em uma colina com vista para o rebanho. Seu cajado e seu bordão, as ferramentas que ele usava para guardar, resgatar e proteger suas ovelhas, eram um conforto constante para o seu rebanho.
O quadro bíblico completo que o Senhor pinta para nós é o de um Pastor-Guerreiro que cuida de suas ovelhas. Ele as disciplina amorosamente, as resgata e as protege de si mesmas e de seus inimigos. É por isso que Jesus chama a si mesmo de o Grande Pastor, e ele não conduz suas ovelhas indo atrás delas com um chicote, mas chamando-as pelo nome e conduzindo-as por pastos verdejantes. Pois ele é o autor, o precursor e o comandante da nossa fé, que vai adiante, dando a vida pelas suas ovelhas, e é o consumador da nossa fé, que nos protege e preserva até o fim.
Burk Parsons
segunda-feira, 6 de maio de 2019
terça-feira, 16 de abril de 2019
Sem medo!
O trecho abaixo foi extraído com permissão do livro Sem Medo da Minha Idade, de Elyse Fitzpatrick, Editora Fiel.
Embora as estatísticas pareçam dizer o contrário, eu não acredito que nossos casamentos deterioram somente porque entramos em nossa quarta década. Acredito que é um problema que se vem desenvolvendo há mais tempo, mas que apenas agora finalmente percebemos quanto a casa se tornou silenciosa. Entrar no entardecer da vida não é o que faz com que o casamento, misteriosamente, se torne algo de humor negro com um final pavoroso. O filme está em cartaz há algum tempo. Mas nós estávamos ocupadas demais com o treino de futebol, com os trabalhos de ciências e com as festas de aniversário para perceber que os fundamentos de nossa vida juntos têm-se deteriorado.
Pense em como era a vida antes de termos filhos. Para algumas de nós, o começo pode ter sido difícil; para outras, contudo, foi adorável e tranquilo. Reflita agora sobre as seguintes questões:
O que eu amava sobre meu marido quando me casei com ele?
Quando foi a última vez que me alegrei por estar com ele?
Sobre o que conversávamos antes de nossos filhos tornarem a comunicação significativa mais difícil?
Quando foi a última vez que você agradeceu a Deus de coração por seu marido?
Quando você ficou na expectativa de passar algum tempo sozinha com ele?
Cavernas de renúncia benigna
Adoro a passagem do evangelho de João sobre Maria e a morte e a ressurreição de seu irmão, Lázaro. Você se lembra da história da visita que Jesus fez a esses três solteiros — Maria, Marta e Lázaro. Jesus desafiou as convenções culturais da época quando defendeu o desejo de Maria assentar-se aos seus pés em vez de cumprir com suas obrigações na cozinha. Seu coração era cheio de fé e de intenso amor por seu mestre.
Mas, algum tempo depois de Jesus ter deixado Betânia, Lázaro ficou doente. “Está enfermo aquele a quem amas”, escreveu Maria ao seu Senhor. É como se ela tivesse dito: “Por favor, venha ajudá-lo”. Mas, depois, lemos a frase mais surpreendente: “Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava” (Jo 11.6). Nesse ínterim, Lázaro morreu.
Você é capaz de imaginar a confusão, a decepção e o desespero de Maria? Você consegue imaginar o diálogo entre Maria e Marta, uma tentando encorajar a outra enquanto a doença de Lázaro só piorava?
“Não se preocupe”, talvez tenha dito Maria. “O mestre virá.”
“Fui informada de que ele está somente a dois dias de distância.” “Se ele se apressar, pode ajudar Lázaro.”
Até que Lázaro morreu. “Onde está o Senhor?”, certamente perguntavam-se eles. “Por que não veio?” E, enquanto elas preparavam o corpo de Lázaro, embrulhando-o em panos para que fosse sepultado e ungindo-o com o precioso bálsamo, encheram-se de desgosto e desespero. Eles eram amigos de Jesus. Ele seria capaz de curá-lo. Ele seria capaz de impedir que ele morresse. Mas a realidade é que quatro dias já se haviam passado e findaram-se todas as esperanças de seus corações, assim como a vida deixara o corpo de Lázaro.
Se estiveras aqui
Embora a maioria de nós não tenha experimentado o sofrimento de perder um amado irmão mais novo por causa de uma enfermidade, todas nós conhecemos o desespero de contemplar a morte dos sonhos que tínhamos para nosso casamento. Talvez você não tenha refletido ultimamente sobre determinados aspectos de seu casamento — expectativas e esperanças para seu relacionamento com seu marido
—, então eu quero ajudá-la a examinar um pouco de seu coração, pedindo que você reflita seriamente sobre essas questões.
Qual parte de seu casamento é como o túmulo de Lázaro?
Quais são os sonhos que você já sepultou, selando o sepulcro com uma pedra, para que seus olhos desiludidos não tivessem de contemplar a vergonha do fracasso?
Quais são os aspectos do casamento pelos quais você não ora mais, sobre os quais não fala mais e para os quais não tem mais esperança?
Quais esperanças são dolorosas demais para sequer pensar em ressuscitá-las?
Você enxerga a si mesma como alguém que foi criada para ser a auxiliadora de seu marido? Para tentar se defender, você se tornou independente e autossuficiente?
Quais assuntos tornaram-se anátemas para você porque agora finalmente conseguiu desenvolver uma dura camada de proteção sobre suas decepções e seria muito doloroso removê-la?
Qual parte de seu coração é como o túmulo de Lázaro? Escuro, sem vida e com o mau cheiro do remorso e do “se ao menos”?
Talvez você não esteja prestes a se divorciar, talvez você esteja, mas, se reconhecer que existem segmentos de seu coração nos quais você cedeu para o que minha amiga Carol Cornish chama de “renúncia benigna”, então você sabe do que estou falando.
Por favor, não me interprete mal. Não estou dizendo que você tenha desistido do Senhor. Tenho certeza de que Marta e Maria sabiam que Jesus era capaz de ajudar se quisesse. As duas criam na ressurreição. O problema não era a ortodoxia da fé delas. O problema era que elas não tinham uma fé suficientemente profunda para alcançar as circunstâncias desoladoras que estavam vivenciando naquele momento. A fé não alcançou as trevas da decepção e, embora estivessem de luto, elas encontraram um mecanismo de autodefesa para conseguir levar a vida adiante. Não estou dizendo que é errado esforçar-se para lidar com a decepção. Todos nós fazemos isso. O que não podemos fazer é tentar mascarar nossas decepções com a dissimulação, colocando no rosto um sorriso corajoso, mas insincero, enquanto, mergulhadas na incredulidade, dizemos entre os dentes: “Está tudo bem… eu estou bem, sim”.
Agora é hora de relembrar aquelas fendas escuras de incredulidade e desespero e de convidar Cristo para agir com o poder da ressurreição. Talvez você precise começar a orar por seu marido como nunca orou antes. Talvez agora seja a hora de você dizer que, independentemente de ele mudar ou não, você vai encontrar fé para dizer mais do que: “Está tudo bem… estou bem, sim”. Você precisa ter a fé que diz: “Essas coisas são um bem na minha vida. Meu Pai celestial está usando essa circunstância para sua glória e para o meu bem. Então, embora eu quisesse que meu marido mudasse em algumas áreas, posso me alegrar até mesmo quando ele não muda. O que antes era um cadáver apodrecido de incredulidade tornou-se uma fonte de vida, fé e alegria para mim, pois eu consigo enxergar a mão do meu Pai”.
A presença de Jesus transforma morte em vida, trevas em luz e tragédia em bênção! Jesus faz com que aquilo que antes parecia ser maldição torne-se fonte de alegria. Talvez seu marido não seja hoje (ou talvez nunca tenha sido) o que você esperava que ele fosse. Mesmo assim, Deus prometeu que lhe dará tudo aquilo de que você precisa para a vida e piedade no conhecimento dele. A verdade difícil, mas reconfortante, é que o marido que você recebeu de Deus é aquele de quem você precisa para aprender sobre o caráter de Deus. Ele escolheu seu marido para que Deus possa moldá-la na auxiliadora que ele quer que você seja. Com que objetivo? Você se lembra do que escrevi no primeiro capítulo? Ele lhe deu o marido que você tem para a glória de Deus e para seu bem maior. Então, em todas as situações em que você sente que está sofrendo ou que se sente decepcionada, pode se alegrar com o fato de Deus haver preparado esse problema com propósitos que se estendem para além de sua felicidade imediata — rumo à eternidade.
Embora as estatísticas pareçam dizer o contrário, eu não acredito que nossos casamentos deterioram somente porque entramos em nossa quarta década. Acredito que é um problema que se vem desenvolvendo há mais tempo, mas que apenas agora finalmente percebemos quanto a casa se tornou silenciosa. Entrar no entardecer da vida não é o que faz com que o casamento, misteriosamente, se torne algo de humor negro com um final pavoroso. O filme está em cartaz há algum tempo. Mas nós estávamos ocupadas demais com o treino de futebol, com os trabalhos de ciências e com as festas de aniversário para perceber que os fundamentos de nossa vida juntos têm-se deteriorado.
Pense em como era a vida antes de termos filhos. Para algumas de nós, o começo pode ter sido difícil; para outras, contudo, foi adorável e tranquilo. Reflita agora sobre as seguintes questões:
O que eu amava sobre meu marido quando me casei com ele?
Quando foi a última vez que me alegrei por estar com ele?
Sobre o que conversávamos antes de nossos filhos tornarem a comunicação significativa mais difícil?
Quando foi a última vez que você agradeceu a Deus de coração por seu marido?
Quando você ficou na expectativa de passar algum tempo sozinha com ele?
Cavernas de renúncia benigna
Adoro a passagem do evangelho de João sobre Maria e a morte e a ressurreição de seu irmão, Lázaro. Você se lembra da história da visita que Jesus fez a esses três solteiros — Maria, Marta e Lázaro. Jesus desafiou as convenções culturais da época quando defendeu o desejo de Maria assentar-se aos seus pés em vez de cumprir com suas obrigações na cozinha. Seu coração era cheio de fé e de intenso amor por seu mestre.
Mas, algum tempo depois de Jesus ter deixado Betânia, Lázaro ficou doente. “Está enfermo aquele a quem amas”, escreveu Maria ao seu Senhor. É como se ela tivesse dito: “Por favor, venha ajudá-lo”. Mas, depois, lemos a frase mais surpreendente: “Quando, pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava” (Jo 11.6). Nesse ínterim, Lázaro morreu.
Você é capaz de imaginar a confusão, a decepção e o desespero de Maria? Você consegue imaginar o diálogo entre Maria e Marta, uma tentando encorajar a outra enquanto a doença de Lázaro só piorava?
“Não se preocupe”, talvez tenha dito Maria. “O mestre virá.”
“Fui informada de que ele está somente a dois dias de distância.” “Se ele se apressar, pode ajudar Lázaro.”
Até que Lázaro morreu. “Onde está o Senhor?”, certamente perguntavam-se eles. “Por que não veio?” E, enquanto elas preparavam o corpo de Lázaro, embrulhando-o em panos para que fosse sepultado e ungindo-o com o precioso bálsamo, encheram-se de desgosto e desespero. Eles eram amigos de Jesus. Ele seria capaz de curá-lo. Ele seria capaz de impedir que ele morresse. Mas a realidade é que quatro dias já se haviam passado e findaram-se todas as esperanças de seus corações, assim como a vida deixara o corpo de Lázaro.
Se estiveras aqui
Embora a maioria de nós não tenha experimentado o sofrimento de perder um amado irmão mais novo por causa de uma enfermidade, todas nós conhecemos o desespero de contemplar a morte dos sonhos que tínhamos para nosso casamento. Talvez você não tenha refletido ultimamente sobre determinados aspectos de seu casamento — expectativas e esperanças para seu relacionamento com seu marido
—, então eu quero ajudá-la a examinar um pouco de seu coração, pedindo que você reflita seriamente sobre essas questões.
Qual parte de seu casamento é como o túmulo de Lázaro?
Quais são os sonhos que você já sepultou, selando o sepulcro com uma pedra, para que seus olhos desiludidos não tivessem de contemplar a vergonha do fracasso?
Quais são os aspectos do casamento pelos quais você não ora mais, sobre os quais não fala mais e para os quais não tem mais esperança?
Quais esperanças são dolorosas demais para sequer pensar em ressuscitá-las?
Você enxerga a si mesma como alguém que foi criada para ser a auxiliadora de seu marido? Para tentar se defender, você se tornou independente e autossuficiente?
Quais assuntos tornaram-se anátemas para você porque agora finalmente conseguiu desenvolver uma dura camada de proteção sobre suas decepções e seria muito doloroso removê-la?
Qual parte de seu coração é como o túmulo de Lázaro? Escuro, sem vida e com o mau cheiro do remorso e do “se ao menos”?
Talvez você não esteja prestes a se divorciar, talvez você esteja, mas, se reconhecer que existem segmentos de seu coração nos quais você cedeu para o que minha amiga Carol Cornish chama de “renúncia benigna”, então você sabe do que estou falando.
Por favor, não me interprete mal. Não estou dizendo que você tenha desistido do Senhor. Tenho certeza de que Marta e Maria sabiam que Jesus era capaz de ajudar se quisesse. As duas criam na ressurreição. O problema não era a ortodoxia da fé delas. O problema era que elas não tinham uma fé suficientemente profunda para alcançar as circunstâncias desoladoras que estavam vivenciando naquele momento. A fé não alcançou as trevas da decepção e, embora estivessem de luto, elas encontraram um mecanismo de autodefesa para conseguir levar a vida adiante. Não estou dizendo que é errado esforçar-se para lidar com a decepção. Todos nós fazemos isso. O que não podemos fazer é tentar mascarar nossas decepções com a dissimulação, colocando no rosto um sorriso corajoso, mas insincero, enquanto, mergulhadas na incredulidade, dizemos entre os dentes: “Está tudo bem… eu estou bem, sim”.
Agora é hora de relembrar aquelas fendas escuras de incredulidade e desespero e de convidar Cristo para agir com o poder da ressurreição. Talvez você precise começar a orar por seu marido como nunca orou antes. Talvez agora seja a hora de você dizer que, independentemente de ele mudar ou não, você vai encontrar fé para dizer mais do que: “Está tudo bem… estou bem, sim”. Você precisa ter a fé que diz: “Essas coisas são um bem na minha vida. Meu Pai celestial está usando essa circunstância para sua glória e para o meu bem. Então, embora eu quisesse que meu marido mudasse em algumas áreas, posso me alegrar até mesmo quando ele não muda. O que antes era um cadáver apodrecido de incredulidade tornou-se uma fonte de vida, fé e alegria para mim, pois eu consigo enxergar a mão do meu Pai”.
A presença de Jesus transforma morte em vida, trevas em luz e tragédia em bênção! Jesus faz com que aquilo que antes parecia ser maldição torne-se fonte de alegria. Talvez seu marido não seja hoje (ou talvez nunca tenha sido) o que você esperava que ele fosse. Mesmo assim, Deus prometeu que lhe dará tudo aquilo de que você precisa para a vida e piedade no conhecimento dele. A verdade difícil, mas reconfortante, é que o marido que você recebeu de Deus é aquele de quem você precisa para aprender sobre o caráter de Deus. Ele escolheu seu marido para que Deus possa moldá-la na auxiliadora que ele quer que você seja. Com que objetivo? Você se lembra do que escrevi no primeiro capítulo? Ele lhe deu o marido que você tem para a glória de Deus e para seu bem maior. Então, em todas as situações em que você sente que está sofrendo ou que se sente decepcionada, pode se alegrar com o fato de Deus haver preparado esse problema com propósitos que se estendem para além de sua felicidade imediata — rumo à eternidade.
quarta-feira, 10 de abril de 2019
Declaração de Cambridge
Os Cinco Solas da Reforma
Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria
por
Declaração de Cambridge
SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade
Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.
Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.
A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.
A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.
Tese 1: Sola Scriptura
Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.
Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.
SOLO CHRISTUS: A Erosão da Fé Centrada em Cristo
À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.
Tese 2: Solus Christus
Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.
Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.
SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho
A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.
A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.
Tese 3: Sola Gratia
Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.
Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.
SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial
A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.
Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.
Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.
Tese 4: Sola Fide
Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.
SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus
Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.
Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.
Tese 5: Soli Deo Gloria
Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.
Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.
Fonte: Declaração de Cambridge
Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria
por
Declaração de Cambridge
SOLA SCRIPTURA: A Erosão da Autoridade
Só a Escritura é a regra inerrante da vida da igreja, mas a igreja evangélica atual fez separação entre a Escritura e sua função oficial. Na prática, a igreja é guiada, por vezes demais, pela cultura. Técnicas terapêuticas, estratégias de marketing, e o ritmo do mundo de entretenimento muitas vezes tem mais voz naquilo que a igreja quer, em como funciona, e no que oferece, do que a Palavra de Deus. Os pastores negligenciam a supervisão do culto, que lhes compete, inclusive o conteúdo doutrinário da música. À medida que a autoridade bíblica foi abandonada na prática, que suas verdades se enfraqueceram na consciência cristã, e que suas doutrinas perderam sua proeminência, a igreja foi cada vez mais esvaziada de sua integridade, autoridade moral e discernimento.
Em lugar de adaptar a fé cristã para satisfazer as necessidades sentidas dos consumidores, devemos proclamar a Lei como medida única da justiça verdadeira, e o evangelho como a única proclamação da verdade salvadora. A verdade bíblica é indispensável para a compreensão, o desvelo e a disciplina da igreja.
A Escritura deve nos levar além de nossas necessidades percebidas para nossas necessidades reais, e libertar-nos do hábito de nos enxergar por meio das imagens sedutoras, clichês, promessas e prioridades da cultura massificada. É só à luz da verdade de Deus que nós nos entendemos corretamente e abrimos os olhos para a provisão de Deus para a nossa sociedade. A Bíblia, portanto, precisa ser ensinada e pregada na igreja. Os sermões precisam ser exposições da Bíblia e de seus ensino, não a expressão de opinião ou de idéias da época. Não devemos aceitar menos do que aquilo que Deus nos tem dado.
A obra do Espírito Santo na experiência pessoal não pode ser desvinculada da Escritura. O Espírito não fala em formas que independem da Escritura. À parte da Escritura nunca teríamos conhecido a graça de Deus em Cristo. A Palavra bíblica, e não a experiência espiritual, é o teste da verdade.
Tese 1: Sola Scriptura
Reafirmamos a Escritura inerrante como fonte única de revelação divina escrita, única para constranger a consciência. A Bíblia sozinha ensina tudo o que é necessário para nossa salvação do pecado, e é o padrão pelo qual todo comportamento cristão deve ser avaliado.
Negamos que qualquer credo, concílio ou indivíduo possa constranger a consciência de um crente, que o Espírito Santo fale independentemente de, ou contrariando, o que está exposto na Bíblia, ou que a experiência pessoal possa ser veículo de revelação.
SOLO CHRISTUS: A Erosão da Fé Centrada em Cristo
À medida que a fé evangélica se secularizou, seus interesses se confundiram com os da cultura. O resultado é uma perda de valores absolutos, um individualismo permissivo, a substituição da santidade pela integridade, do arrependimento pela recuperação, da verdade pela intuição, da fé pelo sentimento, da providência pelo acaso e da esperança duradoura pela gratificação imediata. Cristo e sua cruz se deslocaram do centro de nossa visão.
Tese 2: Solus Christus
Reafirmamos que nossa salvação é realizada unicamente pela obra mediatória do Cristo histórico. Sua vida sem pecado e sua expiação por si só são suficientes para nossa justificação e reconciliação com o Pai.
Negamos que o evangelho esteja sendo pregado se a obra substitutiva de Cristo não estiver sendo declarada e a fé em Cristo e sua obra não estiver sendo invocada.
SOLA GRATIA: A Erosão do Evangelho
A Confiança desmerecida na capacidade humana é um produto da natureza humana decaída. Esta falsa confiança enche hoje o mundo evangélico – desde o evangelho da auto-estima até o evangelho da saúde e da prosperidade, desde aqueles que já transformaram o evangelho num produto vendável e os pecadores em consumidores e aqueles que tratam a fé cristã como verdadeira simplesmente porque funciona. Isso faz calar a doutrina da justificação, a despeito dos compromissos oficiais de nossas igrejas.
A graça de Deus em Cristo não só é necessária como é a única causa eficaz da salvação. Confessamos que os seres humanos nascem espiritualmente mortos e nem mesmo são capazes de cooperar com a graça regeneradora.
Tese 3: Sola Gratia
Reafirmamos que na salvação somos resgatados da ira de Deus unicamente pela sua graça. A obra sobrenatural do Espírito Santo é que nos leva a Cristo, soltando-nos de nossa servidão ao pecado e erguendo-nos da morte espiritual à vida espiritual.
Negamos que a salvação seja em qualquer sentido obra humana. Os métodos, técnicas ou estratégias humanas por si só não podem realizar essa transformação. A fé não é produzida pela nossa natureza não-regenerada.
SOLA FIDE: A Erosão do Artigo Primordial
A justificação é somente pela graça, somente por intermédio da fé, somente por causa de Cristo. Este é o artigo pelo qual a igreja se sustenta ou cai. É um artigo muitas vezes ignorado, distorcido, ou por vezes até negado por líderes, estudiosos e pastores que professam ser evangélicos. Embora a natureza humana decaída sempre tenha recuado de professar sua necessidade da justiça imputada de Cristo, a modernidade alimenta as chamas desse descontentamento com o Evangelho bíblico. Já permitimos que esse descontentamento dite a natureza de nosso ministério e o conteúdo de nossa pregação.
Muitas pessoas ligadas ao movimento do crescimento da igreja acreditam que um entendimento sociológico daqueles que vêm assistir aos cultos é tão importante para o êxito do evangelho como o é a verdade bíblica proclamada. Como resultado, as convicções teológicas freqüentemente desaparecem, divorciadas do trabalho do ministério. A orientação publicitária de marketing em muitas igrejas leva isso mais adiante, apegando a distinção entre a Palavra bíblica e o mundo, roubando da cruz de Cristo a sua ofensa e reduzindo a fé cristã aos princípios e métodos que oferecem sucesso às empresas seculares.
Embora possam crer na teologia da cruz, esses movimentos a verdade estão esvaziando-a de seu conteúdo. Não existe evangelho a não ser o da substituição de Cristo em nosso lugar, pela qual Deus lhe imputou o nosso pecado e nos imputou a sua justiça. Por ele Ter levado sobre si a punição de nossa culpa, nós agora andamos na sua graça como aqueles que são para sempre perdoados, aceitos e adotados como filhos de Deus. Não há base para nossa aceitação diante de Deus a não ser na obra salvífica de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja, ou probidade moral. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo. Não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.
Tese 4: Sola Fide
Reafirmamos que a justificação é somente pela graça somente por intermédio da fé somente por causa de Cristo. Na justificação a retidão de Cristo nos é imputada como o único meio possível de satisfazer a perfeita justiça de Deus.
Negamos que a justificação se baseie em qualquer mérito que em nós possa ser achado, ou com base numa infusão da justiça de Cristo em nós; ou que uma instituição que reivindique ser igreja mas negue ou condene sola fide possa ser reconhecida como igreja legítima.
SOLI DEO GLORIA: A Erosão do Culto Centrado em Deus
Onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele a nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em marketing, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.
Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.
Tese 5: Soli Deo Gloria
Reafirmamos que, como a salvação é de Deus e realizada por Deus, ela é para a glória de Deus e devemos glorificá-lo sempre. Devemos viver nossa vida inteira perante a face de Deus, sob a autoridade de Deus, e para sua glória somente.
Negamos que possamos apropriadamente glorificar a Deus se nosso culto for confundido com entretenimento, se negligenciarmos ou a Lei ou o Evangelho em nossa pregação, ou se permitirmos que o afeiçoamento próprio, a auto-estima e a auto-realização se tornem opções alternativas ao evangelho.
Fonte: Declaração de Cambridge
quarta-feira, 27 de março de 2019
3 razões para deixar as luzes acesas no momento das músicas no culto
O culto está para começar. Um vídeo de alguns minutos no telão atrairá a atenção dos presentes. O pessoal começa a sentar e ao fim do vídeo o grupo de música da igreja faz a abertura com uma música normalmente agitada. Enquanto a banda toca (30-40 minutos) as luzes estão apagadas na congregação e os spotlights acesos na banda. Ao término do canto, as luzes são acesas. Esse é basicamente o formato da abertura de um culto na maioria das igrejas contemporâneas, independente da denominação.
Não sou contra a contemporaneidade e acredito que podemos pensar biblicamente acerca dela. Também entendo que há uma certa liberdade bíblica para trabalhamos alguns elementos de culto dentro da nossa cultura (considerando que esses elementos sejam princípios e/ou prescrições bíblicas). Há também a questão da estética a ser considerada. Mesmo assim, gostaria de sugerir algumas razões para não nos rendermos à uma tentação cultural de entretenimento no momento que cantamos na igreja – luzes apagadas na congregação, mas acesas na plataforma.
Talvez muitos nem tenham percebido essa tentação e estão somente copiando um “método que deu certo” em igrejas emergentes na Austrália e Estados Unidos (por exemplo Hillsong Church e Bethel Church). Por outro lado, pode ser que haja intencionalidade em apagar as luzes no momento das músicas, como criar uma “atmosfera propícia para a adoração” ou “estimular as emoções e corações” nesse momento. Seja qual for o caso, acredito que temos princípios bíblicos que podem nos oferecer sabedoria para essas questões.
1. Somos instruídos a “falar uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais” (Ef 5.19).
Eu não estaria errado em afirmar que uma das razões para a indiferença (para não dizer silêncio) no momento do canto em muitas igrejas é a falsa ideia da congregação passiva e expectadora ao invés de ativa e estimuladora. O culto do Novo Testamento desconhece a ideia de somente um grupo de pessoas que canta enquanto outros assistem e aplaudem. O canto pertence a toda congregação, não à banda, coral ou dirigente da música. Todos presentes devem “falar uns aos outros com salmos, hinos e cânticos”.
John Stott diz acertadamente em seu comentário sobre essa passagem: “sempre que os cristãos se reúnem, eles adoram cantar tanto para Deus como para o outro. Às vezes, cantamos de maneira responsiva, como faziam os judeus no templo e na sinagoga, e como os primeiros cristãos também faziam, encontrando-se antes do amanhecer para recitar um hino alternadamente a Cristo como a um deus.”[1]Stott cita a carta de Plínio enviada ao imperador Trajano (112 d.C.) nessa última frase sobre cristãos cantando “alternadamente a Cristo como a um deus”.
Portanto, temos tanto uma exortação bíblica para o canto congregacional como relatos históricos que comprovam que essa era a prática da igreja primitiva.
O que Efésios 5.19 sugere é que nós cantamos tanto para Deus como para nós mesmos. Devemos “falar para nós mesmos nas nossas assembleias e reuniões, para edificação mútua”[2]. Acredito que sejam esses os dois propósitos do culto público: adoração e edificação.[3]
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Veja que Paulo diz que dentre as opções das músicas para o canto, temos os “salmos”. Há salmos que são exortações recíprocas. Tome por exemplo o Salmo 95: “Venham! Cantemos ao Senhor com alegria! Aclamemos a Rocha da nossa salvação.” Não é a banda que deve dizer isso, nem o líder ou pastor conducente, mas o povo.[4] A imagem que vem a nossa cabeça com esse salmo é de o povo se olhando e reafirmando sua fé mutuamente através da música: “pois o Senhor é o grande Deus, o grande Rei acima de todos os deuses” (verso 3).
Se isso é verdade, temos que nos perguntar: como cantaremos “uns aos outros” se não vemos uns aos outros enquanto cantamos? Será que pelo simples fato de deixarmos as luzes acesas na banda, não estamos dando a eles um destaque impróprio? Para ser sincero, as luzes deveriam estar acesas na congregação e apagadas na banda, pois os músicos são meros acompanhantes e exercem um papel secundário no canto. A igreja lidera, os músicos seguem.
Há muito mais que poderíamos pensar aqui, como por exemplo a disposição das cadeiras no culto (muitas das vezes vemos mais nucas dos que rostos), volume dos instrumentos, etc. Mas acredito que esse princípio de Paulo é um forte argumento para que a luzes permaneçam acesas!
2. Somos encorajados a cantar com alegria nos salmos, precisamos vê-la.
Uma das causas da profunda tristeza do salmista no salmo 42 é que ele se lembrava de quando costumava ir com a multidão à casa de Deus, “com cantos de alegria e de ação de graças entre a multidão que festejava” (verso 4). A alegria era, sem dúvida alguma, uma marca na adoração do povo de Deus.
C.S. Lewis descreve acertadamente a adoração israelita. Ele a chama de “apetite por Deus” e argumenta que “é um desejo natural e até mesmo físico, alegre e espontâneo“. Eles se alegravam e exultavam (Salmo 9.2). Deveriam cantar músicas e fazer barulhos alegres com tamborins, liras e harpas (81.1-2). Meras músicas não eram suficientes, todos os povos, mesmo os gentios ignorantes, deveriam bater palmas (47.1). Címbalos, não apenas bem sintonizados, mas barulhentos, e também danças (150: 5). Até mesmo as ilhas remotas (todas as ilhas eram remotas, pois os judeus não eram marinheiros) deveriam compartilham dessa exultação (97.1).[5]
É claro que o culto cristão atual não compartilha de todos os detalhes da adoração israelita, mas ainda assim a alegria permanece.[6] Não há nada mais edificante do que ver um irmão na fé adorando alegremente, apesar de todas as circunstâncias difíceis que tem passado. Jogamos um fardo muito grande nos músicos e dirigente do canto quando esperamos ver neles, domingo após domingo, essa alegria exuberante dos salmos. Precisamos da congregação para isso! Acenda as luzes e “se alegre com os que se alegram” (Rm 12.15).
3. É o Espírito Santo, através da Palavra, que prepara o nosso coração, não as luzes do ambiente.
A eclesiologia reformada nos privará de erros na adoração dominical. Por “eclesiologia reformada” tenho em mente os lemas da reforma protestantes (cinco solas) e as doutrinas da graça (conhecidas pelo acróstico inglês TULIP). Por exemplo, ao concordarmos com o “somente a Escritura”, daremos a ela um lugar central no nosso culto. Ao mesmo tempo, por entendermos que o homem é “totalmente depravado” em seus pecados, entenderemos que não é a quantidade de luz no ambiente (ou falta dela) que moverá seu coração.
A bíblia diz que somente a “lei do Senhor revigora a alma” (Sl 19.7). Somente a palavra de Deus é a “espada do Espírito” (Ef 6.17, veja a atuação do Espírito com a palavra) e que o agir do Espírito através da palavra é “eficaz” e penetra “corações” (Hb 4.12). Jesus disse que suas palavras são “espírito e vida” (Jo 6.63). Pedro disse que essas palavras garantem “vida eterna” (6.68) e que a regeneração acontece pela “semente imperecível, viva e permanente” (1Pe 1.23). Tiago diz a mesma coisa, fomos “gerados pela palavra da verdade” (Tg 1.18). Nitidamente, a palavra de Deus deve guiar e estar em cada elemento do culto cristão. Como Mark Dever diz, em nossos cultos devemos “cantar a palavra, orar a palavra, pregar a palavra, ler a palavra e ver a palavra” (nos sacramentos). É triste vermos igrejas que são conhecidas pela musicalidade e não pela fiel pregação, isso vai contra sua própria natureza – ser “uma comunidade teológica criada pela Palavra de Deus”.[7] O ponto aqui é claro: não é a quantidade de luz que moverá os corações pecadores.
Um outro ponto a se considerar é que Paulo nos ensina que a palavra de Deus que possibilita e prepara o momento dos cânticos e não o contrário. Veja o que diz Colossenses 3.16:
“Que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Instruam e aconselhem-se mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão no coração”. Se a palavra não habitar nos nossos corações, eles não transbordarão em louvor, pior ainda, os cânticos não serão guiados pela palavra. Essa é a razão pela qual vemos tantas letras que não são bíblicas, a palavra deixou de habitar nos corações dos compositores! Lembre-se, não é a quantidade de música que você canta, nem como você “prepara o ambiente com as luzes da sua igreja” que preparará os corações para o que está por vir no culto, mas o quanto a palavra de Deus está reverberando no meio do seu povo.
Gostaria de escrever mais sobre o assunto, mas o espaço não me permite. Talvez você não concorde comigo nos pontos acima ou precisa de mais meditação, fique à vontade. Se eu consegui encorajá-lo(a) a pensar biblicamente sobre cada elemento do seu culto público, alcancei meu objetivo.
Por: Thiago Guerra. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados.
Não sou contra a contemporaneidade e acredito que podemos pensar biblicamente acerca dela. Também entendo que há uma certa liberdade bíblica para trabalhamos alguns elementos de culto dentro da nossa cultura (considerando que esses elementos sejam princípios e/ou prescrições bíblicas). Há também a questão da estética a ser considerada. Mesmo assim, gostaria de sugerir algumas razões para não nos rendermos à uma tentação cultural de entretenimento no momento que cantamos na igreja – luzes apagadas na congregação, mas acesas na plataforma.
Talvez muitos nem tenham percebido essa tentação e estão somente copiando um “método que deu certo” em igrejas emergentes na Austrália e Estados Unidos (por exemplo Hillsong Church e Bethel Church). Por outro lado, pode ser que haja intencionalidade em apagar as luzes no momento das músicas, como criar uma “atmosfera propícia para a adoração” ou “estimular as emoções e corações” nesse momento. Seja qual for o caso, acredito que temos princípios bíblicos que podem nos oferecer sabedoria para essas questões.
1. Somos instruídos a “falar uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais” (Ef 5.19).
Eu não estaria errado em afirmar que uma das razões para a indiferença (para não dizer silêncio) no momento do canto em muitas igrejas é a falsa ideia da congregação passiva e expectadora ao invés de ativa e estimuladora. O culto do Novo Testamento desconhece a ideia de somente um grupo de pessoas que canta enquanto outros assistem e aplaudem. O canto pertence a toda congregação, não à banda, coral ou dirigente da música. Todos presentes devem “falar uns aos outros com salmos, hinos e cânticos”.
John Stott diz acertadamente em seu comentário sobre essa passagem: “sempre que os cristãos se reúnem, eles adoram cantar tanto para Deus como para o outro. Às vezes, cantamos de maneira responsiva, como faziam os judeus no templo e na sinagoga, e como os primeiros cristãos também faziam, encontrando-se antes do amanhecer para recitar um hino alternadamente a Cristo como a um deus.”[1]Stott cita a carta de Plínio enviada ao imperador Trajano (112 d.C.) nessa última frase sobre cristãos cantando “alternadamente a Cristo como a um deus”.
Portanto, temos tanto uma exortação bíblica para o canto congregacional como relatos históricos que comprovam que essa era a prática da igreja primitiva.
O que Efésios 5.19 sugere é que nós cantamos tanto para Deus como para nós mesmos. Devemos “falar para nós mesmos nas nossas assembleias e reuniões, para edificação mútua”[2]. Acredito que sejam esses os dois propósitos do culto público: adoração e edificação.[3]
Continua após anúncio:
Veja que Paulo diz que dentre as opções das músicas para o canto, temos os “salmos”. Há salmos que são exortações recíprocas. Tome por exemplo o Salmo 95: “Venham! Cantemos ao Senhor com alegria! Aclamemos a Rocha da nossa salvação.” Não é a banda que deve dizer isso, nem o líder ou pastor conducente, mas o povo.[4] A imagem que vem a nossa cabeça com esse salmo é de o povo se olhando e reafirmando sua fé mutuamente através da música: “pois o Senhor é o grande Deus, o grande Rei acima de todos os deuses” (verso 3).
Se isso é verdade, temos que nos perguntar: como cantaremos “uns aos outros” se não vemos uns aos outros enquanto cantamos? Será que pelo simples fato de deixarmos as luzes acesas na banda, não estamos dando a eles um destaque impróprio? Para ser sincero, as luzes deveriam estar acesas na congregação e apagadas na banda, pois os músicos são meros acompanhantes e exercem um papel secundário no canto. A igreja lidera, os músicos seguem.
Há muito mais que poderíamos pensar aqui, como por exemplo a disposição das cadeiras no culto (muitas das vezes vemos mais nucas dos que rostos), volume dos instrumentos, etc. Mas acredito que esse princípio de Paulo é um forte argumento para que a luzes permaneçam acesas!
2. Somos encorajados a cantar com alegria nos salmos, precisamos vê-la.
Uma das causas da profunda tristeza do salmista no salmo 42 é que ele se lembrava de quando costumava ir com a multidão à casa de Deus, “com cantos de alegria e de ação de graças entre a multidão que festejava” (verso 4). A alegria era, sem dúvida alguma, uma marca na adoração do povo de Deus.
C.S. Lewis descreve acertadamente a adoração israelita. Ele a chama de “apetite por Deus” e argumenta que “é um desejo natural e até mesmo físico, alegre e espontâneo“. Eles se alegravam e exultavam (Salmo 9.2). Deveriam cantar músicas e fazer barulhos alegres com tamborins, liras e harpas (81.1-2). Meras músicas não eram suficientes, todos os povos, mesmo os gentios ignorantes, deveriam bater palmas (47.1). Címbalos, não apenas bem sintonizados, mas barulhentos, e também danças (150: 5). Até mesmo as ilhas remotas (todas as ilhas eram remotas, pois os judeus não eram marinheiros) deveriam compartilham dessa exultação (97.1).[5]
É claro que o culto cristão atual não compartilha de todos os detalhes da adoração israelita, mas ainda assim a alegria permanece.[6] Não há nada mais edificante do que ver um irmão na fé adorando alegremente, apesar de todas as circunstâncias difíceis que tem passado. Jogamos um fardo muito grande nos músicos e dirigente do canto quando esperamos ver neles, domingo após domingo, essa alegria exuberante dos salmos. Precisamos da congregação para isso! Acenda as luzes e “se alegre com os que se alegram” (Rm 12.15).
3. É o Espírito Santo, através da Palavra, que prepara o nosso coração, não as luzes do ambiente.
A eclesiologia reformada nos privará de erros na adoração dominical. Por “eclesiologia reformada” tenho em mente os lemas da reforma protestantes (cinco solas) e as doutrinas da graça (conhecidas pelo acróstico inglês TULIP). Por exemplo, ao concordarmos com o “somente a Escritura”, daremos a ela um lugar central no nosso culto. Ao mesmo tempo, por entendermos que o homem é “totalmente depravado” em seus pecados, entenderemos que não é a quantidade de luz no ambiente (ou falta dela) que moverá seu coração.
A bíblia diz que somente a “lei do Senhor revigora a alma” (Sl 19.7). Somente a palavra de Deus é a “espada do Espírito” (Ef 6.17, veja a atuação do Espírito com a palavra) e que o agir do Espírito através da palavra é “eficaz” e penetra “corações” (Hb 4.12). Jesus disse que suas palavras são “espírito e vida” (Jo 6.63). Pedro disse que essas palavras garantem “vida eterna” (6.68) e que a regeneração acontece pela “semente imperecível, viva e permanente” (1Pe 1.23). Tiago diz a mesma coisa, fomos “gerados pela palavra da verdade” (Tg 1.18). Nitidamente, a palavra de Deus deve guiar e estar em cada elemento do culto cristão. Como Mark Dever diz, em nossos cultos devemos “cantar a palavra, orar a palavra, pregar a palavra, ler a palavra e ver a palavra” (nos sacramentos). É triste vermos igrejas que são conhecidas pela musicalidade e não pela fiel pregação, isso vai contra sua própria natureza – ser “uma comunidade teológica criada pela Palavra de Deus”.[7] O ponto aqui é claro: não é a quantidade de luz que moverá os corações pecadores.
Um outro ponto a se considerar é que Paulo nos ensina que a palavra de Deus que possibilita e prepara o momento dos cânticos e não o contrário. Veja o que diz Colossenses 3.16:
“Que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Instruam e aconselhem-se mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão no coração”. Se a palavra não habitar nos nossos corações, eles não transbordarão em louvor, pior ainda, os cânticos não serão guiados pela palavra. Essa é a razão pela qual vemos tantas letras que não são bíblicas, a palavra deixou de habitar nos corações dos compositores! Lembre-se, não é a quantidade de música que você canta, nem como você “prepara o ambiente com as luzes da sua igreja” que preparará os corações para o que está por vir no culto, mas o quanto a palavra de Deus está reverberando no meio do seu povo.
Gostaria de escrever mais sobre o assunto, mas o espaço não me permite. Talvez você não concorde comigo nos pontos acima ou precisa de mais meditação, fique à vontade. Se eu consegui encorajá-lo(a) a pensar biblicamente sobre cada elemento do seu culto público, alcancei meu objetivo.
Por: Thiago Guerra. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados.
sexta-feira, 22 de março de 2019
Por que estudar teologia?
Por que raios eu deveria me importar com teologia?
Tudo o que eu preciso está na Bíblia.
Eu posso seguir Jesus sem ter de aprender todos os tipos de palavras obscuras.
Você já ouviu outro cristão dizer algo semelhante a essas declarações? Você já disse algo assim? Você já pensou em tais coisas? Se sim, você não está sozinho. A vasta maioria dos cristãos professos tem pouco ou nenhum interesse em teologia. Nas mentes de muitos cristãos não existe nenhuma conexão necessária entre a teologia e sua vida cristã cotidiana. Eles acreditam que a teologia é irrelevante.
A desconexão entre teologia e igreja e entre teologia e o cristão teve resultados desastrosos. Alguém precisa apenas olhar as recentes pesquisas examinando o nível de conhecimento teológico no meio dos cristãos professos, para saber que algo deu errado. Quando um grande número de cristãos professos começa a dizer aos seus amigos e familiares: “Você só precisa ler A Cabana! Aprendi muito sobre Deus com esse livro”, então, bem, Houston, temos um problema. Quando um grande número de cristãos evangélicos professos não tem certeza se a divindade de Cristo é um artigo da fé cristã, então nós temos mais que um problema. Nós somos os lêmingues daquele provérbio, correndo temerariamente em direção ao precipício.
Teologia Definida
Para que os cristãos comecem a entender por que a teologia é necessária e relevante, precisamos entender o que queremos dizer por teologia. Os teólogos reformados do passado definiram a teologia como “uma palavra sobre Deus” baseada na “Palavra de Deus”. Em suma, em sua essência, a teologia é o conhecimento de Deus.
O conhecimento de Deus é uma linha divisória entre crentes e incrédulos. As Escrituras caracterizam os incrédulos como aqueles que não “conhecem a Deus”, aqueles que não possuem “conhecimento de Deus” (Os 4.1; 1 Co 1.21; Gl 4.8; 1 Ts 4.5; 2 Ts 1.8; Tt 1.16). Em contraste, os cristãos são aqueles que conhecem a Deus e que estão crescendo no conhecimento de Deus (Cl 1.10). Crescer no conhecimento de Deus significa crescer em nossa teologia.
Nesse sentido mais básico, todos os cristãos são chamados à teologia. Se a Escritura nos convoca a crescermos no conhecimento de Deus/teologia, então, a busca desse conhecimento teológico é um ato de obediência cristã. Ela se torna um aspecto do discipulado cristão, algo inegociável para o crente.
Quando começamos a pensar a respeito de teologia, em primeiro lugar, como conhecimento de Deus, podemos começar a vislumbrar a verdade sobre a relevância da teologia. Podemos começar a ver que isso faz toda a diferença do mundo para as nossas vidas. Começamos a enxergar como isso é relevante para tudo o que pensamos, dizemos e fazemos como seguidores de Jesus Cristo.
Teologia e o Amor de Deus
Para aqueles que permanecem céticos, abordaremos a mesma questão de um ângulo diferente. Quando perguntaram a nosso Senhor Jesus Cristo: “Qual é o maior mandamento?”, qual foi a sua resposta?
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Ele disse: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mateus 22.37; cf. Marcos 12.30; Lucas 10.27).
Você ama a Deus?
Se assim for, isso é bom, mas temos de escolher entre o amor a Deus e a teologia, entre o amor a Deus e o conhecimento de Deus? Eu sugeriria que os Beatles estavam errados quando cantaram: “Tudo que você precisa é de amor”. Esse sentimento não conseguiu manter quatro rapazes juntos por mais de uma década. Assim, é certo que não manterá uma igreja saudável.
Amor a Deus e conhecimento de Deus caminham de mãos dadas. Se você realmente ama a Deus, você já tem pelo menos um conhecimento mínimo de Deus, uma “teologia” mínima. Se você não conhecesse absolutamente nada de Deus, se não tivesse nenhum conceito a respeito da sua existência, amá-lo seria impossível. Mas se você o ama porque conhece alguma coisa a respeito dele, deve haver um desejo de crescer em seu conhecimento dele – crescer em sua teologia.
Não é isso que acontece quando nos apaixonamos pela primeira vez por outra pessoa? Encontramos uma pessoa e, talvez, falamos com ela. Baseados no conhecimento que temos dessa pessoa, somos atraídos por ela. E se somos atraídos por essa pessoa, se gostamos dele ou dela, o que queremos? Queremos conhecer mais. Nós falamos a ela e dizemos: “Conte-me sobre você. Conte-me sobre a sua infância. Fale sobre os seus gostos, seus desgostos. Fale sobre suas esperanças e seus sonhos”. Então, nós ouvimos. E quanto mais o nosso crescimento a respeito dessa pessoa cresce, mais o nosso amor cresce.
Num sentido, isso é semelhante ao que estamos fazendo na teologia formal. Estamos fazendo perguntas a Deus, para que possamos crescer em nosso conhecimento sobre ele e, assim, em nosso amor por ele. Suas respostas às nossas perguntas são encontradas nas Escrituras. Quando começamos a organizar as respostas de maneira, temos uma forma rudimentar do que é chamado de teologia sistemática.
Nós dizemos: “Conte-me a teu respeito, Senhor”. Se organizarmos nossas respostas de maneira ordenada, temos o que os teólogos chamam de “teologia propriamente dita”. Ou se dizemos: “O que tu podes dizer a respeito de mim mesmo e de outros como eu?”, e arranjamos as respostas, temos a doutrina bíblica do homem, ou em termos mais técnicos: “antropologia teológica”. Nós podemos perguntar a Deus: “Podes me dizer o que há de errado comigo?” Um arranjo ordenado das respostas é a doutrina do pecado. Quando organizamos as respostas a esta pergunta: “Por que me escolheste e como é que agora estou reconciliado contigo?”, temos a doutrina da salvação ou soteriologia. Podemos perguntar a Deus: “Quais são os meus fins últimos?” Uma organização das respostas encontradas nas Escrituras é a doutrina das últimas coisas ou escatologia.
É claro que essa comparação é por demais simplista, mas o ponto básico deve ser claro. Teologia é conhecimento pessoal. Estritamente falando, é conhecimento tripessoal, porque é o conhecimento da Trindade. Também é um conhecimento que podemos ter apenas porque Deus decidiu se revelar. Jesus nos disse que “ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mateus 11.27; ênfase adicionada).
Para Quem É a Teologia?
Quando temos uma melhor compreensão da natureza da teologia, podemos entender melhor por que isso é necessário e relevante. Em primeiro lugar, a teologia é necessária e relevante para a igreja. A igreja é chamada para proclamar o evangelho e discipular as nações. Em suma, a igreja deve proclamar a verdade. A igreja deve instruir os cristãos e combater as falsas doutrinas (2 Timóteo 4.1-5; Tito 1.9). Ambas as tarefas exigem uma séria reflexão sobre o ensino das Escrituras. Portanto, a teologia é indispensável para a igreja.
A teologia também é necessária e relevante para cada cristão individual. Já mencionei a conexão entre o amor a Deus e o conhecimento de Deus. Um discípulo de Cristo deve estar crescendo em ambos. A necessidade e a relevância da teologia também podem ser demonstradas ao se notar a importância de se entender as Escrituras. Se a compreensão das Escrituras é importante e relevante, a teologia é relevante e importante. Permita-me elaborar isso um pouco mais. Leia lentamente cada uma das seguintes passagens da Escritura:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (João 1.1).
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (João 1.14).
Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade (Colossenses 2.9).
Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo (Efésios 1.4).
Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (2 Coríntios 5.19).
Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2 Coríntios 5.21).
Numa escala de 1 a 10, quão importante você diria que cada um desses textos é? Você diria que eles possuem um alto nível de importância? Se você acredita que algum, ou todos esses textos têm um alto nível de importância, quão importante é que você e eu entendamos o que eles significam? Se você disse: “Muito”, você está correto. Agora, considere o fato de que a lista acima contém apenas seis versículos de toda a Palavra de Deus. É tão importante entender o restante da Escritura quanto entender esses seis versículos. Afinal de contas, ela é a Palavra de Deus. Essa é outra razão pela qual o estudo da teologia é relevante. Ela nos ajuda a entender a Escritura e a pensar e falar verdadeiramente sobre o que Deus revelou em sua Palavra.
Finalmente, é importante lembrar que mesmo aqueles cristãos, que acreditam que a teologia é irrelevante, estão “fazendo teologia”. Eles estão simplesmente fazendo isso sem a consciência de estar fazendo, e, geralmente, isso é uma indicação de que eles estão fazendo mal. Se fizermos isso sem consciência ou reflexão, o potencial para o erro aumenta de modo dramático. Precisamos considerar isso, pois erros relacionados a Deus, sua vontade e suas obras são muito mais sérios do que erros em outras áreas da vida. Erros aqui resultam em falsas doutrinas, heresia e idolatria.
O estudo da teologia é necessário e relevante porque nos ajuda a sermos mais ponderados e cuidadosos em nossos pensamentos e discurso sobre Deus. Ele nos ajuda a sermos transformados pela renovação das nossas mentes.
Dr. Keith Mathison é editor associado da Tabletalk magazine, deão e professor de Teologia Reformada na Reformation Bible College em Sanford, Florida e autor do livro From Age to Age: The Unfolding of Biblical Eschatology.
Tudo o que eu preciso está na Bíblia.
Eu posso seguir Jesus sem ter de aprender todos os tipos de palavras obscuras.
Você já ouviu outro cristão dizer algo semelhante a essas declarações? Você já disse algo assim? Você já pensou em tais coisas? Se sim, você não está sozinho. A vasta maioria dos cristãos professos tem pouco ou nenhum interesse em teologia. Nas mentes de muitos cristãos não existe nenhuma conexão necessária entre a teologia e sua vida cristã cotidiana. Eles acreditam que a teologia é irrelevante.
A desconexão entre teologia e igreja e entre teologia e o cristão teve resultados desastrosos. Alguém precisa apenas olhar as recentes pesquisas examinando o nível de conhecimento teológico no meio dos cristãos professos, para saber que algo deu errado. Quando um grande número de cristãos professos começa a dizer aos seus amigos e familiares: “Você só precisa ler A Cabana! Aprendi muito sobre Deus com esse livro”, então, bem, Houston, temos um problema. Quando um grande número de cristãos evangélicos professos não tem certeza se a divindade de Cristo é um artigo da fé cristã, então nós temos mais que um problema. Nós somos os lêmingues daquele provérbio, correndo temerariamente em direção ao precipício.
Teologia Definida
Para que os cristãos comecem a entender por que a teologia é necessária e relevante, precisamos entender o que queremos dizer por teologia. Os teólogos reformados do passado definiram a teologia como “uma palavra sobre Deus” baseada na “Palavra de Deus”. Em suma, em sua essência, a teologia é o conhecimento de Deus.
O conhecimento de Deus é uma linha divisória entre crentes e incrédulos. As Escrituras caracterizam os incrédulos como aqueles que não “conhecem a Deus”, aqueles que não possuem “conhecimento de Deus” (Os 4.1; 1 Co 1.21; Gl 4.8; 1 Ts 4.5; 2 Ts 1.8; Tt 1.16). Em contraste, os cristãos são aqueles que conhecem a Deus e que estão crescendo no conhecimento de Deus (Cl 1.10). Crescer no conhecimento de Deus significa crescer em nossa teologia.
Nesse sentido mais básico, todos os cristãos são chamados à teologia. Se a Escritura nos convoca a crescermos no conhecimento de Deus/teologia, então, a busca desse conhecimento teológico é um ato de obediência cristã. Ela se torna um aspecto do discipulado cristão, algo inegociável para o crente.
Quando começamos a pensar a respeito de teologia, em primeiro lugar, como conhecimento de Deus, podemos começar a vislumbrar a verdade sobre a relevância da teologia. Podemos começar a ver que isso faz toda a diferença do mundo para as nossas vidas. Começamos a enxergar como isso é relevante para tudo o que pensamos, dizemos e fazemos como seguidores de Jesus Cristo.
Teologia e o Amor de Deus
Para aqueles que permanecem céticos, abordaremos a mesma questão de um ângulo diferente. Quando perguntaram a nosso Senhor Jesus Cristo: “Qual é o maior mandamento?”, qual foi a sua resposta?
Continua após anúncio:
Ele disse: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mateus 22.37; cf. Marcos 12.30; Lucas 10.27).
Você ama a Deus?
Se assim for, isso é bom, mas temos de escolher entre o amor a Deus e a teologia, entre o amor a Deus e o conhecimento de Deus? Eu sugeriria que os Beatles estavam errados quando cantaram: “Tudo que você precisa é de amor”. Esse sentimento não conseguiu manter quatro rapazes juntos por mais de uma década. Assim, é certo que não manterá uma igreja saudável.
Amor a Deus e conhecimento de Deus caminham de mãos dadas. Se você realmente ama a Deus, você já tem pelo menos um conhecimento mínimo de Deus, uma “teologia” mínima. Se você não conhecesse absolutamente nada de Deus, se não tivesse nenhum conceito a respeito da sua existência, amá-lo seria impossível. Mas se você o ama porque conhece alguma coisa a respeito dele, deve haver um desejo de crescer em seu conhecimento dele – crescer em sua teologia.
Não é isso que acontece quando nos apaixonamos pela primeira vez por outra pessoa? Encontramos uma pessoa e, talvez, falamos com ela. Baseados no conhecimento que temos dessa pessoa, somos atraídos por ela. E se somos atraídos por essa pessoa, se gostamos dele ou dela, o que queremos? Queremos conhecer mais. Nós falamos a ela e dizemos: “Conte-me sobre você. Conte-me sobre a sua infância. Fale sobre os seus gostos, seus desgostos. Fale sobre suas esperanças e seus sonhos”. Então, nós ouvimos. E quanto mais o nosso crescimento a respeito dessa pessoa cresce, mais o nosso amor cresce.
Num sentido, isso é semelhante ao que estamos fazendo na teologia formal. Estamos fazendo perguntas a Deus, para que possamos crescer em nosso conhecimento sobre ele e, assim, em nosso amor por ele. Suas respostas às nossas perguntas são encontradas nas Escrituras. Quando começamos a organizar as respostas de maneira, temos uma forma rudimentar do que é chamado de teologia sistemática.
Nós dizemos: “Conte-me a teu respeito, Senhor”. Se organizarmos nossas respostas de maneira ordenada, temos o que os teólogos chamam de “teologia propriamente dita”. Ou se dizemos: “O que tu podes dizer a respeito de mim mesmo e de outros como eu?”, e arranjamos as respostas, temos a doutrina bíblica do homem, ou em termos mais técnicos: “antropologia teológica”. Nós podemos perguntar a Deus: “Podes me dizer o que há de errado comigo?” Um arranjo ordenado das respostas é a doutrina do pecado. Quando organizamos as respostas a esta pergunta: “Por que me escolheste e como é que agora estou reconciliado contigo?”, temos a doutrina da salvação ou soteriologia. Podemos perguntar a Deus: “Quais são os meus fins últimos?” Uma organização das respostas encontradas nas Escrituras é a doutrina das últimas coisas ou escatologia.
É claro que essa comparação é por demais simplista, mas o ponto básico deve ser claro. Teologia é conhecimento pessoal. Estritamente falando, é conhecimento tripessoal, porque é o conhecimento da Trindade. Também é um conhecimento que podemos ter apenas porque Deus decidiu se revelar. Jesus nos disse que “ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mateus 11.27; ênfase adicionada).
Para Quem É a Teologia?
Quando temos uma melhor compreensão da natureza da teologia, podemos entender melhor por que isso é necessário e relevante. Em primeiro lugar, a teologia é necessária e relevante para a igreja. A igreja é chamada para proclamar o evangelho e discipular as nações. Em suma, a igreja deve proclamar a verdade. A igreja deve instruir os cristãos e combater as falsas doutrinas (2 Timóteo 4.1-5; Tito 1.9). Ambas as tarefas exigem uma séria reflexão sobre o ensino das Escrituras. Portanto, a teologia é indispensável para a igreja.
A teologia também é necessária e relevante para cada cristão individual. Já mencionei a conexão entre o amor a Deus e o conhecimento de Deus. Um discípulo de Cristo deve estar crescendo em ambos. A necessidade e a relevância da teologia também podem ser demonstradas ao se notar a importância de se entender as Escrituras. Se a compreensão das Escrituras é importante e relevante, a teologia é relevante e importante. Permita-me elaborar isso um pouco mais. Leia lentamente cada uma das seguintes passagens da Escritura:
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus (João 1.1).
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (João 1.14).
Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade (Colossenses 2.9).
Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo (Efésios 1.4).
Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (2 Coríntios 5.19).
Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2 Coríntios 5.21).
Numa escala de 1 a 10, quão importante você diria que cada um desses textos é? Você diria que eles possuem um alto nível de importância? Se você acredita que algum, ou todos esses textos têm um alto nível de importância, quão importante é que você e eu entendamos o que eles significam? Se você disse: “Muito”, você está correto. Agora, considere o fato de que a lista acima contém apenas seis versículos de toda a Palavra de Deus. É tão importante entender o restante da Escritura quanto entender esses seis versículos. Afinal de contas, ela é a Palavra de Deus. Essa é outra razão pela qual o estudo da teologia é relevante. Ela nos ajuda a entender a Escritura e a pensar e falar verdadeiramente sobre o que Deus revelou em sua Palavra.
Finalmente, é importante lembrar que mesmo aqueles cristãos, que acreditam que a teologia é irrelevante, estão “fazendo teologia”. Eles estão simplesmente fazendo isso sem a consciência de estar fazendo, e, geralmente, isso é uma indicação de que eles estão fazendo mal. Se fizermos isso sem consciência ou reflexão, o potencial para o erro aumenta de modo dramático. Precisamos considerar isso, pois erros relacionados a Deus, sua vontade e suas obras são muito mais sérios do que erros em outras áreas da vida. Erros aqui resultam em falsas doutrinas, heresia e idolatria.
O estudo da teologia é necessário e relevante porque nos ajuda a sermos mais ponderados e cuidadosos em nossos pensamentos e discurso sobre Deus. Ele nos ajuda a sermos transformados pela renovação das nossas mentes.
quarta-feira, 20 de março de 2019
Eu quero morrer!
O trecho abaixo foi retirado com permissão do livro Eu Quero Morrer, de David Powlison, Série Aconselhamento, Editora Fiel.
Você está tendo pensamentos e sentimentos suicidas? Talvez você esteja convencido de que a vida não vale a pena. Você sente como se seu mundo estivesse entrando em colapso. Sua vida parece sem esperança — como se um buraco negro sugasse todo amor, esperança e alegria. Se você está contemplando a hipótese do suicídio, você certamente já pensou muito sobre sua vida. Mas você já parou para pensar sobre como Deus vê a sua vida?
Sua vida importa para Deus
Nesse momento, você vive em um mundo de desespero. Você não vê qualquer solução para os seus problemas. Você não tem quaisquer objetivos. O futuro parece vazio.
Mas a perspectiva de Deus sobre a sua vida é muito diferente. Sua vida é preciosa para ele. Deus sabe tudo sobre você — incluindo quantos fios de cabelo há na sua cabeça. Ele o ama de uma forma tão grande que enviou seu único filho para morrer por você (Jo 3.16). Sua vida significa tanto para Deus que ele proíbe que você a tire. Deus diz que todo ato de homicídio é errado, incluindo o suicídio (Êx 20.13).
Sua vida importa para outras pessoas
Talvez você esteja pensando em quanto tempo está depressivo e triste. Você se sente como um fardo para as outras pessoas? Mesmo que elas não digam isso, você sente como se todos fossem ficar melhor sem você?
O modo como você está pensando é tragicamente errado. É uma mentira pensar que alguém — vizinhos, pais, filhos, cônjuge, amigos, colegas de trabalho, enfermeiros ou meros conhecidos — seria beneficiado com o seu suicídio. Uma pessoa tirar a própria vida é algo perturbador e revoltante. Aqueles que você deixar para trás não ficarão aliviados. Pelo contrário, eles serão deixados com fardos terríveis. Quais fardos são esses?
Primeiro, aqueles que o conhecem e se importam com você nunca entenderão o motivo. Eles farão as mesmas perguntas várias vezes: “Por que você fez isso? Por que você nos deixou? Por que você não pediu ajuda? Por que nós não conseguiríamos ajudá-lo?”. As perguntas sobre o “porquê” seguirão o tempo todo aqueles que você deixar para trás.
Segundo, eles se sentirão culpados. Além da dor da perda, eles sofrerão a dor de se sentirem responsáveis por você. Eles se perguntarão se o seu suicídio foi uma resposta a algo que eles fizeram ou não fizeram. Eles serão deixados com um sentimento de falha pessoal que irá sobrecarregá-los.
Terceiro, aqueles que você deixar não pensarão que você lhes fez um favor com seu suicídio; na verdade, eles sentirão como se você não os amasse. Como você poderia amá-los e feri-los de forma tão grave? O suicídio é um ato egoísta. Ele acaba com relacionamentos e não deixa qualquer esperança de reconciliação. Aqueles que você deixar para trás sentirão um vazio muito profundo.
Quarto, o suicídio dá forma à opção de fugir, como se o matar a si mesmo fosse o meio de resolver os problemas da vida. O suicídio diz que a melhor maneira de lidar com a culpa, o fracasso, a decepção e a dificuldade é tirando a sua própria vida. Esse modelo tem uma influência negativa poderosa. Portanto, ao invés de fazer algo bom para aqueles ao seu redor, você está, na verdade, deixando um exemplo que poderia influenciar negativamente o modo como as pessoas lidam com as suas próprias lutas.
Considere o que é verdadeiro
Pensamentos suicidas são cheios de falsidades. Pode ser difícil para você, enquanto passa por uma dificuldade, reconhecer as mentiras. Então, se apegue a algumas poucas e simples verdades sobre Deus esobre você. Lembre-se delas todas as vezes que você pensar que o suicídio é uma boa solução para os seus problemas.
1. Em amor, Deus veio em pessoa para ser aquele que salva da morte:
Mas agora, assim diz o Senhor, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.” (Is 43.1)
Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. (Rm 5.8)
2. Deus diz que o suicídio é errado porque você está tirando uma vida:
Não matarás (Êx 20.13)
3. Quando você derramar o que está em seu coração para Deus, ele o ouvirá:
Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro. (Sl 31.22)
À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz. (Sl 55.17)
Você está tendo pensamentos e sentimentos suicidas? Talvez você esteja convencido de que a vida não vale a pena. Você sente como se seu mundo estivesse entrando em colapso. Sua vida parece sem esperança — como se um buraco negro sugasse todo amor, esperança e alegria. Se você está contemplando a hipótese do suicídio, você certamente já pensou muito sobre sua vida. Mas você já parou para pensar sobre como Deus vê a sua vida?
Sua vida importa para Deus
Nesse momento, você vive em um mundo de desespero. Você não vê qualquer solução para os seus problemas. Você não tem quaisquer objetivos. O futuro parece vazio.
Mas a perspectiva de Deus sobre a sua vida é muito diferente. Sua vida é preciosa para ele. Deus sabe tudo sobre você — incluindo quantos fios de cabelo há na sua cabeça. Ele o ama de uma forma tão grande que enviou seu único filho para morrer por você (Jo 3.16). Sua vida significa tanto para Deus que ele proíbe que você a tire. Deus diz que todo ato de homicídio é errado, incluindo o suicídio (Êx 20.13).
Sua vida importa para outras pessoas
Talvez você esteja pensando em quanto tempo está depressivo e triste. Você se sente como um fardo para as outras pessoas? Mesmo que elas não digam isso, você sente como se todos fossem ficar melhor sem você?
O modo como você está pensando é tragicamente errado. É uma mentira pensar que alguém — vizinhos, pais, filhos, cônjuge, amigos, colegas de trabalho, enfermeiros ou meros conhecidos — seria beneficiado com o seu suicídio. Uma pessoa tirar a própria vida é algo perturbador e revoltante. Aqueles que você deixar para trás não ficarão aliviados. Pelo contrário, eles serão deixados com fardos terríveis. Quais fardos são esses?
Primeiro, aqueles que o conhecem e se importam com você nunca entenderão o motivo. Eles farão as mesmas perguntas várias vezes: “Por que você fez isso? Por que você nos deixou? Por que você não pediu ajuda? Por que nós não conseguiríamos ajudá-lo?”. As perguntas sobre o “porquê” seguirão o tempo todo aqueles que você deixar para trás.
Segundo, eles se sentirão culpados. Além da dor da perda, eles sofrerão a dor de se sentirem responsáveis por você. Eles se perguntarão se o seu suicídio foi uma resposta a algo que eles fizeram ou não fizeram. Eles serão deixados com um sentimento de falha pessoal que irá sobrecarregá-los.
Terceiro, aqueles que você deixar não pensarão que você lhes fez um favor com seu suicídio; na verdade, eles sentirão como se você não os amasse. Como você poderia amá-los e feri-los de forma tão grave? O suicídio é um ato egoísta. Ele acaba com relacionamentos e não deixa qualquer esperança de reconciliação. Aqueles que você deixar para trás sentirão um vazio muito profundo.
Quarto, o suicídio dá forma à opção de fugir, como se o matar a si mesmo fosse o meio de resolver os problemas da vida. O suicídio diz que a melhor maneira de lidar com a culpa, o fracasso, a decepção e a dificuldade é tirando a sua própria vida. Esse modelo tem uma influência negativa poderosa. Portanto, ao invés de fazer algo bom para aqueles ao seu redor, você está, na verdade, deixando um exemplo que poderia influenciar negativamente o modo como as pessoas lidam com as suas próprias lutas.
Considere o que é verdadeiro
Pensamentos suicidas são cheios de falsidades. Pode ser difícil para você, enquanto passa por uma dificuldade, reconhecer as mentiras. Então, se apegue a algumas poucas e simples verdades sobre Deus esobre você. Lembre-se delas todas as vezes que você pensar que o suicídio é uma boa solução para os seus problemas.
1. Em amor, Deus veio em pessoa para ser aquele que salva da morte:
Mas agora, assim diz o Senhor, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.” (Is 43.1)
Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. (Rm 5.8)
2. Deus diz que o suicídio é errado porque você está tirando uma vida:
Não matarás (Êx 20.13)
3. Quando você derramar o que está em seu coração para Deus, ele o ouvirá:
Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro. (Sl 31.22)
À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e ele ouvirá a minha voz. (Sl 55.17)
terça-feira, 12 de março de 2019
Confissões de um pregador
Uma das coisas que mais me apaixona é pregar. Pregar mexe comigo como nenhuma outra coisa. O esforço para encontrar a passagem adequada, o sentido da passagem, e depois colocar este sentido em um formato fácil de explicar e de ser entendido; e o mais importante, poder espiritual para entregar a mensagem de maneira clara, direta, que fira as consciências, que levante os ânimos e que instrua as mentes; enfim, que seja instrumento na mão do Espírito Santo para glorificar a Deus e exaltar a Jesus Cristo.
Apesar de toda a preparação, é no momento da entrega que a verdade aparece. Quando estou no púlpito, com a Bíblia aberta, e centenas de rostos olhando pra mim em expectativa. Ali eu me sinto trêmulo, vacilante e frequentemente tímido. Tenho que superar o meu medo natural para anunciar com clareza e alta voz o sentido do texto bíblico e fazê-lo chegar até os corações e as mentes.
Durante a pregação, manter contato visual com as pessoas, perceber se estão seguindo, sendo encorajadas, se estão sendo abençoado ou se estão simplesmente se sentindo enfadonhas. Em seguida, ajustar o horário, as palavras, o tom, o timbre da voz, até que a palavra penetre finalmente por entre as barreiras, obstáculos e dificuldades que as pessoas levantam em suas mentes e aí seus corações quando vem a igreja.
E quando o sermão termina, não termina a minha tarefa. Sinto-me geralmente arrasado, fracassado, como quem fez um péssimo trabalho. Não poucas vezes vou pra casa procurando um buraco pra me esconder. E aí que tenho que orar, pedindo perdão a Deus, e suplicar que a palavra pregada, mesmo de forma imperfeita, seja usada por ele para converter e santificar. Um sentimento de vazio com frequência entra em meu coração, como alguém que não fez o que deveria ter feito direito.
As noites de domingo, na cama, são aquelas em que a insônia torna-se minha companheira.
Augustus Nicodemus é bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte, em Recife, mestre em Novo Testamento pela Universidade Cristã de Potchefstroom, na África do Sul, e doutor em Hermenêutica e Estudos Bíblicos pelo Seminário Teológico de Westminster, na Filadélfia (EUA), com estudos adicionais na Universidade Reformada de Kampen, na Holanda.
Apesar de toda a preparação, é no momento da entrega que a verdade aparece. Quando estou no púlpito, com a Bíblia aberta, e centenas de rostos olhando pra mim em expectativa. Ali eu me sinto trêmulo, vacilante e frequentemente tímido. Tenho que superar o meu medo natural para anunciar com clareza e alta voz o sentido do texto bíblico e fazê-lo chegar até os corações e as mentes.
Durante a pregação, manter contato visual com as pessoas, perceber se estão seguindo, sendo encorajadas, se estão sendo abençoado ou se estão simplesmente se sentindo enfadonhas. Em seguida, ajustar o horário, as palavras, o tom, o timbre da voz, até que a palavra penetre finalmente por entre as barreiras, obstáculos e dificuldades que as pessoas levantam em suas mentes e aí seus corações quando vem a igreja.
E quando o sermão termina, não termina a minha tarefa. Sinto-me geralmente arrasado, fracassado, como quem fez um péssimo trabalho. Não poucas vezes vou pra casa procurando um buraco pra me esconder. E aí que tenho que orar, pedindo perdão a Deus, e suplicar que a palavra pregada, mesmo de forma imperfeita, seja usada por ele para converter e santificar. Um sentimento de vazio com frequência entra em meu coração, como alguém que não fez o que deveria ter feito direito.
As noites de domingo, na cama, são aquelas em que a insônia torna-se minha companheira.
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